conecte-se conosco


Cidades

Com rachaduras, lar onde cresceu Jejé de Oyá pode desabar

Publicado

Com tijolos de adobe, telhas desiguais, portas e janelas de madeira, o casarão histórico construído pelo fazendeiro Manoel Pereira Cuiabano, e que foi lar de Jejé de Oyá, pode desabar.

 

Localizado atrás da Paróquia Nossa Senhora da Boa Morte, esquina com a Rua Batista das Neves, no Centro Histórico de Cuiabá, o imóvel está abandonado e sofre com o descaso. Com o período de chuva iniciando na Capital, os riscos aumentam.

 

A equipe de reportagem visitou o local nessa quarta-feira (27) e encontrou uma enorme rachadura em uma das paredes externas. A fenda começa no topo da parede e quase chega ao chão.

 

Na parte interna, apenas um remendo improvisado feito de cimento e tijolos seguram a parede.

 

Nesta mesma parede, a parte que segura as grades colocadas nas janelas está quase cedendo. É possível ver uma envergadura que não deve aguentar o peso por muito tempo.

 

Victor Ostetti/MidiaNews

Parte da casa está destelhada

No interior, diversos cômodos da casa também estão destelhados e com rachaduras. Em alguns pontos, partes das paredes já caíram.

 

Como a pintura foi danificada, os tijolos de adobe ficam expostos aos efeitos do sol intenso e dos ventos fortes, além de facilitar a absorção da água da chuva.

 

Um morador de rua que fica na região da Praça Antônio Correa, onde está localizada a igreja, disse que já chegou a dormir dentro do imóvel, mas parou por ter medo de que a casa desabe.

 

“Um tempo atrás eu já dormi lá dentro, mas hoje eu não faço mais isso. A casa pode cair em cima de mim. Prefiro dormir na praça”, afirma.

 

Atualmente, o casarão histórico serve de moradia para o artista plástico Aleixo Cortez.

 

Imóvel histórico

 

Apesar de não ser tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o casarão carrega as memórias da cidade em suas paredes.

 

Segundo o fundador do grupo “Cuiabá de Antigamente”, Francisco Chagas, a casa foi construída pelo fazendeiro Manoel Cuiabano, uma importante personalidade para a economia e comportamentos de Mato Grosso.

 

“Ele foi fazendeiro e dono de lojas. Ele fazia parte de um grupo de livre pensadores, pessoas que se colocavam contra a Igreja Católica, e até chegou a ser excomungado pelo bispo”, afirma.

 

Seu Maneco, como era conhecido popularmente, também mantinham uma amizade próxima com o presidente Eurico Gaspar Dutra.

 

“Ele era amigo do Marechal Dutra, que quando veio a Cuiabá como presidente da República, visitou o velho amigo nesse casarão”, relata Chagas.

 

A casa também foi o local de criação do colunista social Jejé de Oyá, falecido em janeiro de 2016. De acordo com Francisco, a mãe de Jejé era empregada doméstica da família Cuiabano.

 

O colunista nasceu na fazenda de Manoel, em Rosário Oeste, e foi trazido para Cuiabá ainda pequeno. Ele cresceu morando nos fundos do imóvel histórico.

Victor Ostetti/MidiaNews

Rachadura começa no teto e quase chega ao chão

 

“Foi dessa casa que saiu o Jejé de Oyá. Ee morava nos fundos dessa casa. Jejé foi criação do Seu Maneco”, afirma.

 

Manoel faleceu em 1958 e sua esposa, Catarina Monteiro da Silva Cuiabano, mais conhecida como Nhanhá, não suportou viver no casarão sem o companheiro.

 

Dois anos depois, a casa foi adquirida por Helena Muller, filha do ex-governador Júlio Muller e da poetisa Maria de Arruda Muller. Até hoje, o imóvel permanece no nome da falecida e está sob responsabilidade de seus herdeiros.

 

Arquitetura colonial

 

Datada do século XVIII, o casarão foi feito nos moldes do estilo arquitetônico colonial, segundo a arquiteta Alexandra Plothow.

 

Como característica desse tipo de construção, as paredes foram feitas com tijolos de adobe. Este material utiliza uma mistura de terra crua, água e palha e algumas vezes outras fibras naturais, moldados em fôrmas em um processo artesanal.

 

Conforme Plothow, as telhas eram feitas, literalmente, nas coxas dos escravos, que eram chamadas de telhas coloniais ou telhas portuguesas.

 

Além disso, o design colonial também possui janelas simples feitas de madeira e sem a presença de grandes adornos.

 

Abandono

 

A situação deste imóvel expõe a decadência da estrutura de vários casarões do Centro de Cuiabá. Um relatório do Iphan aponta que 43 imóveis tombados correm risco de desabamento.

 

Conforme os dados divulgados pelo Ministério Público Estadual, a região possui 98 prédios históricos abandonados. Deste total, 55 imóveis ainda não passaram por vistoria para verificar a situação da propriedade.

 

Divulgação

Jejé de Oyá cresceu em imóvel que hoje parece prestes a desabar

Os prédios estão localizados na Praça do Rosário, na Avenida Tenente Coronel Duarte e nas ruas Pedro Celestino, Barão de Melgaço, calçadão Ricardo Franco, Voluntários da Pátria, Sete de Setembro, entre outros endereços.

 

Dois casarões históricos já desabaram com o descaso e abandono. O primeiro foi a Casa de Bem Bem, construída em 1850, localizada na Rua Barão de Melgaço, em dezembro de 2017.

 

A equipe de reportagem do MidiaNews chegou a alertar sobre os riscos de desabamento. O casarão sofria com a ação do tempo, as rachaduras nas paredes indicavam que não aguentariam as fortes chuvas. O imóvel já quase não possuía mais telhado e estava sendo ocupado por moradores de rua da região.

 

Já em janeiro deste ano, a primeira gráfica e papelaria de Cuiabá, de meados do século XIX, conhecida com Gráfica Pêpe, também caiu devido a ação das chuvas e a situação de abandono.

 

Em março do ano passado, a reportagem denunciou o abandono e o risco de desabamento do imóvel, que é considerado um dos mais importantes da história de Cuiabá. Na época, o MidiaNews também esteve no local e constatou que parte do telhado do imóvel já tinha caído.

 

Comentários Facebook
publicidade

Cidades

Chaveiro que salvou criança de incêndio teve queimaduras graves e está na UTI em Sorriso

Publicado

por

O chaveiro, de 36 anos, foi internado, ontem à tarde, numa Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Regional em Sorriso devido à gravidade dos ferimentos causados pelo fogo, em uma residência de madeira que estava em chamas. Ele entrou para salvar uma criança, de 4 anos, no dia 26 do mês passado, no bairro São Matheus. De acordo com informações de uma familiar, ele é morador do mesmo bairro e teve queimaduras de segundo grau, respirou muita fumaça. Por conta disso, teve complicação no pulmão.

Desde o dia do incêndio, o homem estava no box de emergência do hospital. A transferência para UTI só ocorreu após intervenção da Defensoria e Ministério Público para conseguir um leito através de liminar na justiça.

Conforme Só Notícias já informou, os bombeiros acabaram com o fogo na residência com auxílio de uma Caminhão Auto Bomba Tanque (ABT). A residência ficou completamente destruída. No dia do incêndio, o chaveiro relatou que pereceu a fumaça e ao verificar a situação, percebeu que o menino estava na casa. “Corri e peguei a marreta. Pulei o muro e quando bati a primeira marreta, quebrou o tijolo e retirei ele”, disse, após o ato heróico.

A versão investigada é que a criança estava dormindo quando começou o incêndio. A mãe estava no trabalho e o pai precisou sair e teria pedido para um vizinho para cuidar da criança até que voltasse.

 

Comentários Facebook
Continue lendo

Cidades

Aulas presenciais nas escolas particulares em Sorriso podem ser retomadas

Publicado

por

As aulas presenciais nas instituições de ensino privadas de Sorriso poderão ser reiniciadas. A liberação ocorreu, ontem, após reunião entre Ministério Público, Defensoria Pública, representantes da prefeitura e proprietários das unidades escolares. Todas as unidades de ensino particulares que optarem pela volta das aulas presenciais, deverão cumprir o plano de contingenciamento apresentado ao Poder Executivo, bem como, as exigências apresentadas na nota técnica emitida pela Vigilância Sanitária.

Além disso, deverão seguir o decreto que dispõe das novas medidas temporárias restritivas às atividades públicas e privadas para prevenção dos riscos de disseminação da Covid-19.

A decisão pela retomada das aulas presenciais da rede privada, nesse momento, cabe a cada estabelecimento de ensino, sendo ainda que esta deverá ser de forma gradativa e segura, assegurando aos pais o direito de disponibilização de aulas e avaliações não presenciais para os estudantes cujos genitores ou responsáveis fizerem a opção de não autorizar o retorno dos estudantes à escola, durante o lapso temporal em que pendurar a pandemia, coibindo-se a reprovação de alunos por falta nessa hipótese.

Ainda de acordo com o decreto, as equipes da secretaria municipal de segurança Pública, Trânsito e Defesa Civil e Vigilância Sanitária realizarão a fiscalização dos estabelecimentos de ensino privado diariamente, e em caso de descumprimento do plano de contingenciamento a unidade escolar privada será fechada.

Conforme Só Notícias já informou, na semana passada, o prefeito de Lucas do Rio Verde Luiz Binotti também autorizou através de decreto o retorno de aulas presenciais das turmas do 1º ao 5º ano do ensino fundamental nas instituições da rede particular de maneira facultativa e com restrições devido ao novo Coronavírus (Covid-19).

Conforme o documento assinado na última sexta-feira, o retorno não é obrigatório e os estabelecimentos deverão disponibilizar meios de ensino à distância aos alunos que optarem pela manutenção do isolamento social.

Comentários Facebook
Continue lendo

Envie sua denúncia

Clique no botão abaixo e envie sua denuncia para nossa equipe de redação
Denuncie

Política MT

Cidades

Nortão

Policial

Mais Lidas da Semana