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Em grampo da PF, executivo da JBS e ex-ministro de Dilma citam deputado de MT

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Reportagem exclusiva do Jornal da Record (Rede Record) exibida em todo país no dia 20 do mês passado mostrou interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça indicando pagamentos milionários ilegais na ordem de R$ 6,5 milhões de Joesley Batista — dono do Grupo J&F, maior frigorífico do planeta — e seu Frigorífico JBS ao PT da então presidente Dilma Roussef. As gravações citam, entre outras pessoas, o deputado federal e ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller (PP).

Conforme a reportagem, as supostas transações são alvo de investigação conduzida pela PF (Polícia Federal) e teriam sido realizadas como cobrança durante o pós campanha pela reeleição, menos de um mês depois do segundo turno, cujo resultado foi a manutenção do Partido dos Trabalhadores no cargo por mais quatro anos (ou até que viesse o impeachment). A conversa que cita Geller acontece entre Edinho da Silva, ex-coordenador daquela campanha, e Ricardo Saudi, executivo da J&F, controladora da JBS.

Em novembro de 2014, Edinho orienta o empresário a ligar para Manoel Sobrinho, braço direito de Edinho, segundo a investigação da PF. “O Manoel vai te passar as orientações certinho”, diz Edinho, que é interrompido por Saudi: “Ah, eu já sei então, ele falou que tá tudo certo?”. “Não, mas aquele que o Manoel passou, é, tem uma mudança…”, “ah, eu sei da mudança, então tá bom, eu vou ligar para ele agora”, “ó, é uma mudança e o negócio lá de Mato Grosso você conversa com o Neri, tá?”, “Do Mato Grosso, ah é, liga pra ele?”.

Na sequência, Saud liga para Sobrinho e ele pede para entrar em contato com Walfrido dos Mares Guia, na época responsável pela coordenação da campanha pela reeleição em Minas Gerais. Mares Guia também foi ministro das Relações Institucionais e do Turismo no governo do ex-presidente Luoz Inácio Lula da Silva. “Liga para Mares Guia, você tem o telefone dele, não tem?”; “Quem? O Walfrido?”; “Isso, o Walfrido”; “deixa só eu reconferir aqui, um email para Minas Gerais…”.

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É quando aparece a citação novamente a Neri Geller, no Ministério da Agricultura de então. Textualmente, ele fala quanto caberia a ele como repasse. “Na verdade, eu tinha te falado que era um de Minas e não é. É um e meio (ao fundo, uma mulher fala “de cem”)”; “Ah tá, e o meio do Mato Grosso continua?”; “Isso”. Dilma Roussef e o PT mineiro deveriam receber juntos R$ 6,5 milhões. “Cinco da Dilma também?”, pergunta Saud, que ouve a confirmação de Manoel Sobrinho: “Isso”.

A PF quer saber a origem do dinheiro, se este foi declarado como doação de campanha e como esses valores foram utilizados. A suspeita dos agentes da PF nasce do fato de os telefonemas acontecerem um mês depois das eleições e que os valores tratados nas ligações eram fruto de propinas da J&F em troco de favores do governo, como já acontecia nos anos anteriores.

As ligações são um desdobramento da Operação Capitu, que investiga o esquema de corrupção dentro do Ministério da Agricultura quando Geller era o titular. Ele, aliás, chegou a ser preso nas primeiras horas da manhã do dia 9 de novembro de 2018, por homens da Polícia Federal, na cidade de Rondonópolis (distante 220 quilômetros de distância de Cuiabá).

No mesmo dia, além dele, também foi alvo o ex-secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) Rodrigo Figueiredo. Rodrigo, durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chegou a ser nomeado ministro interino de Cidades e mais à frente Secretário Executivo de Cidades.

Na data citada, agentes da PF fizeram cumprir um total de 19 mandados de prisão e 63 de busca e apreensão em seis estados do Brasil. A operação batizada com o nome da personagem clássica criada por Machado de Assis no clássico da literatura mundial Dom Casmurro investiga o suposto esquema de corrupção montado dentro do Ministério da Agricultura durante pelo menos todo o período de governança da ex-presidente — ela foi cassada pelo Congresso em um processo de impeachment — Dilma Roussef.

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Neri Geller foi o número um do Mapa no período compreendido entre março e dezembro de 2014. Ao lado dele também foram presos o vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade (MDB), e o próprio sócio-executivo e um dos três donos da JBS, Joesley Batista, como resultado de mandados de prisão preventiva expedidos pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região para serem cumpridos em Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, no Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro.

A Operação Capitu em verdade é desdobramento de outra operação maior, chamada de Lava Jato, e foi criada com base na delação premiada firmada pelo doleiro Lúcio Funaro com a justiça brasileira.

No entendimento da PF, todos os detidos estariam envolvidos no esquema ilegal de arrecadação de propina criado dentro do MAPA para favorecer os políticos do MDB. Eles receberiam dinheiro da JBS — dos irmãos Joesley e Wesley Batista, também delatores favorecidos — a troco de medidas que mantivessem os benefícios fiscais, de incentivo e outros recursos para expansão vindos do BNDES para as empresas do grupo, que comprava plantas frigoríficas em sequência em Mato Grosso.

Sempre conforme os relatórios das investigações, todas as empresas componentes da trading Grupo J&F tinham um duto aberto de dinheiro sendo distribuído entre políticos e partidos, com anuência de duas grandes redes varejistas de Minas Gerais, que atuavam no esquema via conselho diretor. Como na JBS, tudo era tratado pelos executivos e seu CEO.

Neri Geller foi eleito como quarto candidato a deputado federal mais votado de Mato Grosso na eleição de 2018, quando recebeu nada menos que 73.072 votos.

OUTRO LADO

Neri Geller não se manifestou sobre a reportagem da Record.

 

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Mendes: “Acusação de Emanuel é falácia e tentativa de se blindar”

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O governador Mauro Mendes (DEM) classificou como “falácia” a denúncia encaminhada pelo prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (DEM) à Assembleia Legislativa, na qual cita suposto uso político da Delegacia Fazendária (Defaz) como forma de prejudicá-lo.

 

Os deputados, inclusive, já aprovaram a convocação dos delegados Lindomar Tofoli e Anderson Veiga, que foram citados na denúncia. Conforme o prefeito da Capital, os dois delegados teriam recebido a incumbência de “incriminá-lo”, com base em um boletim de ocorrência feito por uma servidora da Saúde municipal.

 

Nesta quinta-feira (16), em entrevista ao MidiaNews, o governador se manifestou pela primeira vez sobre o episódio.

 

“Primeiro que isso é uma falácia. Vejo como uma tentativa de criar uma blindagem para possíveis denúncias que possam acontecer. Só me resta esta alternativa. Porque ele achar que com isso a Defaz – ou agora Deccor (Delegacia de Combate a Corrupção) – vai deixar de investigá-lo, ledo engano”, disse o governador.

 

Primeiro que isso é uma falácia. Vejo como uma tentativa de criar uma blindagem para possíveis denúncias que possam acontecer. Só me resta esta alternativa. Porque ele achar que com isso a Defaz – ou agora Deccor – vai deixar de investigá-lo, ledo engano

Mendes afirmou que a Defaz existe para fiscalizar e investigar denúncias de corrupção, independente de quem seja a pessoa ou o cargo que ocupa.

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“Se tem denúncia, é obrigação deles investigarem. Seja contra Emanuel Pinheiro, contra qualquer agente público do Estado. Seria um absurdo eu pedir para uma Delegacia Especializada Contra Crimes Fazendários para eles investigarem qualquer denúncia”, afirmou.

 

O mesmo, segundo Mendes, ocorre com a Deccor – unidade criada já na administração do atual governador e que herdou parte dos inquéritos conduzidos pela Defaz.

 

“Nem conheço os delegados que lá estão, mas tenho certeza que são profissionais dignos e decentes que vão cumprir – contra qualquer membro da administração que pese qualquer denúncia – o papel de investigar e apurar a verdade”, disse.

 

“E, a partir daí, transformar isso num indiciamento, numa denúncia ao Ministério Público ou promover seu arquivamento, caso a denúncia não tenha procedência”, concluiu o governador.

 

Entenda o caso

 

O caso começou após a servidora Elizabete Maria de Almeida, que trabalha no Hospital São Benedito, registrar um boletim de ocorrência na Delegacia Fazendária.

 

Na ocasião, ela disse ter presenciado uma reunião na qual o prefeito teria oferecido dinheiro e cargos a alguns vereadores, em troca da cassação do oposicionista Abílio Junior (PSC).

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Os delegados Lindomar Tofoli e Anderson Veiga, no entanto, não viram base sólida nas acusações da servidora e teriam se posicionado contra iniciar a investigação.

 

Por conta disso, segundo Emanuel, a alta cúpula da Polícia Civil teria decidido retirar os dois delegados da Defaz. O que de fato aconteceu na mesma semana da denúncia.

 

Diante dos fatos, Lindomar entrou com um mandado de segurança contra o delegado-geral da Polícia Civil Mário Dermeval buscando a anulação do ato que o transferiu da Defaz para a Delegacia de Polícia Várzea Grande. Ele disse que a transferência não foi justificada e apontou perseguição política.

 

Na última semana, a servidora admitiu que participou de uma “armação” contra o prefeito. E ainda revelou ter sido orientada pelo vereador Abílio a manter a versão mentirosa.

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Emanuel vê fala “equilibrada” de Mendes: “Me acalma os ânimos”

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O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), disse que o governador Mauro Mendes (DEM) foi responsável e equilibrado ao classificar como “falácia” a acusação de um suposto uso político da Delegacia Fazendária (Defaz).

 

A denúncia foi feita pelo próprio prefeito à Assembleia Legislativa. Segundo ele, o Governo estaria, por meio por meio da Casa Civil, tentando usar delegados da Defaz para lhe prejudicar.

 

Em entrevista ao MidiaNews nesta semana, o governador disse que a acusação seria uma forma de o prefeito se blindar de possíveis denúncias que possa ser alvo no futuro.

 

“Eu acho que ele não podia falar outra coisa. Se ele falasse diferente disso, aí seria o caos. Seria a violência institucional estabelecida. Então, ele foi responsável e equilibrado como chefe do Poder Executivo em responder dessa forma, o que me acalma os ânimos”, disse Emanuel, ao ser questionado sobre o assunto.

 

Se ele falasse diferente disso, aí seria o caos. Seria a violência institucional estabelecida. Então ele foi responsável e equilibrado como chefe do poder executivo em responder dessa forma

Segundo ele, é preciso que os deputados estaduais ouçam as declarações dos delegados Anderson Veiga e Lindomar Tofoli, que foram citados na denúncia encaminhada por ele ao Legislativo.

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As oitivas já foram, inclusive, aprovadas pelos parlamentares, mas devem ocorrer somente em fevereiro, quando serão retomados os trabalhos na Assembleia.

 

“Para sepultar esse assunto de uma vez por todas, ouçamos os delegados. E aí se esclarece isso. Se a fala dos delegados for condizente com a fala do governador – e sinceramente, é tudo que torço – sepulta esse assunto de uma vez por todas”, disse o prefeito.

 

“Acho que está demorando em convidar os delegados. Eles já manifestaram que querem ir. Os deputados tiveram uma pauta agitada no final do ano passado e começo de janeiro, o que atrapalhou um pouco. Mas vamos aguardar. Não tenho o que fazer a não ser aguardar. Mas temos que ter essa oitiva, até para tranquilizar as relações institucionais no Estado”, concluiu Emanuel.

 

Entenda o caso

 

O caso começou após a servidora Elizabete Maria de Almeida, que trabalha no Hospital São Benedito, registrar um boletim de ocorrência na Delegacia Fazendária.

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Na ocasião, ela disse ter presenciado uma reunião na qual o prefeito teria oferecido dinheiro e cargos a alguns vereadores, em troca da cassação do oposicionista Abílio Junior (PSC).

 

Os delegados Lindomar Tofoli e Anderson Veiga, no entanto, não viram base sólida nas acusações da servidora e teriam se posicionado contra iniciar a investigação.

Por conta disso, segundo Emanuel, a alta cúpula da Polícia Civil teria decidido retirar os dois delegados da Defaz. O que de fato aconteceu na mesma semana da denúncia.

 

Diante dos fatos, Lindomar entrou com um mandado de segurança contra o delegado-geral da Polícia Civil, Mário Dermeval, buscando a anulação do ato que o transferiu da Defaz para a Delegacia de Polícia Várzea Grande. Ele disse que a transferência não foi justificada e apontou perseguição política.

 

Na última semana, a servidora admitiu que participou de uma “armação” contra o prefeito e ainda revelou ter sido orientada pelo vereador Abílio a manter a versão mentirosa.

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