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Agronegócio

Embrapa desenvolve tecnologia para medir o grau de sustentabilidade das fazendas do Pantanal

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está implementando uma ferramenta chamada Fazenda Pantaneira Sustentável (FPS) para medir o nível de sustentabilidade da atividade agropecuária na região do Pantanal. Por meio de um software de lógica difusa (fuzzy), será possível avaliar se as propriedades rurais são sustentáveis a partir de indicadores definidos em três dimensões: ambiental, econômica e social.

 

A tecnologia foi desenvolvida pela Embrapa Pantanal, em parceria com a Embrapa Informática, com o objetivo de ampliar o potencial produtivo da região pantaneira, reconhecida como berço da pecuária. A expectativa é de que as informações levantadas pela ferramenta possam incentivar a produção sustentável que gera lucratividade com preservação dos recursos naturais da região.

 

“Estamos implantando o FPS no Mato Grosso e vamos implantar no Mato Grosso do Sul. Ela faz um diagnóstico da propriedade nos aspectos que compõem a dimensão ambiental, econômica e social e a partir desse diagnóstico vemos onde estão os pontos ruins da propriedade e, a partir daí, temos como avaliar e definir quais as boas práticas que serão trabalhadas nessa propriedade”, explica Sandra Santos, pesquisadora da Embrapa Pantanal.

 

A economia em torno do bioma Pantanal se baseia no gado de corte, criado em grandes propriedades de maneira extensiva. Com o FPS, serão avaliadas, por exemplo, condições de estrada, educação e saúde, entre outros fatores que podem afetar uma propriedade rural, além de aspectos que são relacionados diretamente à responsabilidade do produtor rural.

 

Harmonia com o bioma

 

O Pantanal é considerado uma das maiores planícies úmidas contínuas do mundo. Localizado na bacia hidrográfica do Alto Paraguai, o bioma se estende por uma área aproximada de 138 mil Km2, sendo que 65% de sua área está no estado do Mato Grosso do Sul e os outros 35% no Mato Grosso.

 

“No Pantanal, nenhuma propriedade é igual à outra. O bioma tem uma complexidade incrível, é muito diferenciado, porque tem áreas que inundam, tem áreas que não inundam, tem áreas que tem mais cerrado, tem áreas que tem mais campo limpo, que tem mais corpos d’água, outras que não tem, então, é um desafio imenso”, comenta a pesquisadora Sandra.

 

O projeto é realizado com apoio da Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (Famato), Senar-MT, Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Secretarias Sindicatos Rurais de municípios mato-grossenses, Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Mato Grosso, entre outros parceiros, como universidades e institutos de pesquisa.

 

Quem estiver dentro do programa FPS, poderá dispor de algumas tecnologias de recuperação de pastagem nativa e o avanço da pastagem exótica onde for necessário.  “No projeto, estamos trabalhando com várias tecnologias para quantificar serviços ecossistêmicos, com os recursos forrageiros nativos da região, como é o manejo sustentável deles, como avaliar o serviço prestado por eles”, completa Sandra.

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A adesão ao projeto é voluntária. O principal critério para o produtor interessado em participar é a busca de sustentabilidade para produzir com menor impacto econômico e socioambiental. Em Mato Grosso, foram selecionadas inicialmente 15 fazendas para treinamento da aplicação do software. No Mato Grosso do Sul, são 12 propriedades selecionadas.

 

Como a ferramenta é moldável a qualquer bioma, a ideia é que o projeto futuramente possa se estender para mais produtores em outras regiões, inclusive fora do Brasil. A estimativa é que mais de 3 mil propriedades tenham a oportunidade de diagnóstico priorizado, o que corresponde à área do Paraguai.

 

O chefe da Embrapa Pantanal, Jorge Lara, informou que o FPS é atualmente um dos carro-chefe da unidade. Para o especialista, o modelo do FPS pode provar que a produção agropecuária brasileira é sustentável e reforçar a responsabilidade dos fazendeiros com a preservação do bioma.

 

“Os produtores do Pantanal têm a obrigação de viver em harmonia com o meio ambiente. Quando eles desmatarem mais do que eles podem ou substituírem pastagens mais do que eles podem, simplesmente, o Pantanal por ser muito frágil, devolve de maneira visceral, com enchentes, seca, pragas. Então, é um lugar que o pecuarista aprendeu ao longo de 300 anos a conviver de modo produtivo, preservando o meio ambiente. Por isso, 87% do pantanal é preservado”, disse Lara.

 

Potencial

 

O chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Pantanal, Thiago Copolla, destaca que a implantação do FPS pode promover abertura de mercado para a carne brasileira e movimentar a economia, uma vez que o produtor que participa do projeto poderá aumentar a produção por hectare e entregar um produto diferenciado e mais competitivo.

 

“A FPS dá os caminhos por meio de um raio X, vai indicando para o produtor onde ele pode avançar, que tecnologias ele pode inserir na propriedade dele, nos manejos interessantes pra fazer uma recuperação ambiental e conseguir certificação pra entregar uma carne com um plus, uma qualidade diferente, um carne sustentável para um nicho de mercado nacional ou internacional”, afirmou Copolla.

 

O projeto poderá ainda incentivar a regularização das propriedades, motivar a edição de políticas de incentivos fiscais e mecanismos de compensação ambiental.

 

No estado do Mato Grosso do Sul já foi editado um decreto de pagamentos por serviços ambientais. A equipe da Embrapa está desenvolvendo um sistema de valoração por esses pagamentos, por exemplo a pastagem nativa.

 

“Quem recupera ou mantem a pastagem nativa, está prestando um serviço ambiental. Ou em determinados locais ele não consegue fazer o manejo, então a ideia é que seja de alguma forma recompensado por isso”, explicou Copolla.

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A unidade também trabalhou junto ao Banco do Brasil que deverá abrir em breve duas novas linhas de crédito de baixo custo para produtores que apresentarem indicadores sustentáveis de produção. Atualmente, o Banco já estabelece critérios diferenciados de acesso ao crédito do Plano ABC para produtores do Pantanal, considerando as peculiaridades da agropecuária desenvolvida na região.

 

Outras oportunidades

 

Para aumento do índice econômico, o projeto FPS permite o uso multifuncional da fazenda e o aproveitamento de todo o potencial produtivo da propriedade. Depois de avaliado o potencial produtivo para gado de corte, a partir do uso de diferentes tecnologias como inseminação artificial, rotação de pasto, recuperação de pastagens nativas, a equipe identifica outras potencialidades para agregar valor e gerar renda. Em fazendas com paisagens mais bonitas, por exemplo, é incentivado o desenvolvimento do turismo rural.

 

“A maior parte dos turistas que vem para o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul vem para conhecer a paisagem natural é com interesse em saber como é a relação entre homem e ambiente, como manter esse ambiente. Hoje, 87% é preservado. A maior parte das áreas do pantanal vem da propriedade privada, não é da União, então é o próprio produtor que está preservando e o turista quer entender essa interação”, disse Copolla.

 

Há o incentivo ainda de exploração sustentável da biodiversidade única do Pantanal. Segundo a Embrapa, quase duas mil espécies de plantas do bioma, como forrageiras, apícolas, frutíferas e madeireiras, já foram identificadas e classificadas conforme o potencial econômico, medicinal, entre outros.

 

Além do turismo ecológico e rural, a produção de mel tem sido estimulada por meio do projeto nas fazendas pantaneiras, principalmente naquelas que têm áreas de conservação ambiental onde a atividade pecuária não é viável.

 

“A apicultura entra nos lugares onde a pecuária não entra e consegue alta produtividade por causa do clima, da biodiversidade e das características do Pantanal. Parasitas que atacam as abelhas, não costumam atacar aqui e você consegue gerar um produto muito típico”, disse Jorge Lara, diretor da Embrapa Pantanal.

 

O mel do Pantanal foi o primeiro do Brasil a receber o selo de indicação geográfica, depois de atuação da Embrapa Pantanal com a Superintendência do Ministério da Agricultura em Mato Grosso do Sul. O mel produzido na região tem padrão internacional e será exposto durante programação da 9ª Reunião dos Ministros da Agricultura dos países que compõem os BRICS, que será realizada nos próximos dias 25 e 26 de setembro, na cidade de Bonito (MS).

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Professor contesta aquecimento global e diz que ação do homem não influencia temperatura do planeta

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O professor doutor em Geografia Física – área de climatologia antártica, Ricardo Felício, que esteve em Mato Grosso na última semana, afirma que a ação do homem no planeta terra não influencia a temperatura e que aquecimento global é um mito propagado por países ricos na tentativa de atrasar o desenvolvimento de países emergentes como o Brasil. Ele explicou que, historicamente, as temperaturas do planeta sempre oscilaram, que a própria ideia de clima é variabilidade e que existe diferença entre o clima planetário e os microclimas que sentimos nos ambientes urbanos.

Ricardo Felício tem um currículo acadêmico de peso. Ele é bacharel cientista em Meteorologia pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em meteorologia antártica pelo INPE, doutor em Geografia Física, área de climatologia antártica pela USP. Ele afirmou que o clima sempre muda e que o planeta já passou por um período relativamente mais frio no passado recente, sendo este período utilizado como referência pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU) para defender o aquecimento global.

O professor disse que neste período houve uma menor atividade solar, mas que ela foi aumentando até o ano de 1957, aproximadamente. Depois disso, ele explicou, a atividade do sol diminuiu novamente, fazendo com que as temperaturas caíssem.

“Isto faz parte do ciclo natural do planeta terra, atribuir este fenômeno à atividade humana é disparate, porque não tem isso registrado na história do planeta, sempre são ciclos naturais em que você tem aumento e diminuição de temperaturas, mexe no ciclo hidrológico e nada disso tem interferência do ser humano. O ser humano sofre as ações do clima e tem que sempre se adaptar, tanto os métodos produtivos quanto a sua sobrevivência”, disse.

Felício também rebateu a teoria de que a atmosfera da terra trabalha como uma “estufa”. Ele defende que, na verdade, a atmosfera da terra é um grande “amortecedor”, que não deixa que o planeta resfrie absurdamente e nem esquente absurdamente.

“A atmosfera é radiativa na estratosfera, onde se forma ozônio, onde tem outros processos, mas próximo à superfície, onde tem a troposfera, o processo é convectivo, ou seja, a troposfera trabalha do quente que está embaixo para o frio que está em cima, então é uma impossibilidade física que um fluido frio esquente uma superfície quente, é física básica, então não dá para admitir que a atmosfera trabalha como uma estufa”, disse.

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Ricardo garante que a ação humana não provoca qualquer influência nas alterações de temperaturas do planeta.  Ele afirma que o aumento de CO2 na atmosfera, liberados pelo homem, não é maior do que o que já é liberado naturalmente, portanto não causa qualquer impacto.

“O que a gente observa, não só no agronegócio, mas em qualquer atividade humana, a relação escalar do homem com o meio ambiente é muito pequena, então se tem algum problema ambiental é de micro escala, que a gente usa a tecnologia para resolver. Falar que emitir CO2 muda a composição química da atmosfera, isso é mito, completo, porque todos os gases da atmosfera trabalham de forma convectiva, e as maiores fontes de CO2 que nós temos na natureza são de forma natural, os oceanos, vulcões. Então não tem como a gente falar que a ação humana muda a composição química da atmosfera, porque a física que está envolvendo isso não se sustenta”.

O doutor acredita que o argumento do aquecimento global é propagado por interesses geopolíticos. Ele diz que países ricos tem interesse em atrasar o desenvolvimento de países emergentes como o Brasil e por isso tentam impor esta visão.

“Sociedades emergentes, que são os países subdesenvolvidos, cada vez têm mais dificuldades em se desenvolver, porque são colocados sempre estes entraves em cima dos métodos produtivos. Por exemplo, estão lá falando que vão taxar o G20, vocês acham que o pessoal dos países ricos vão fazer isso? Não vão, a exemplo está aí a Alemanha, encerrando as usinas nucleares, tendo altas dificuldades em gerar energia com eólicas e está queimando carvão, que solta enxofre na atmosfera, isso sim é tóxico. A França, por exemplo, tem 77% de sua matriz energética nuclear, e os reatores nucleares franceses estão dando muitos problemas, então no final das contas eles vão voltar a queimar carvão”.

Ele cita que até mesmo líderes que se posicionam contra as teorias do aquecimento global, como nos Estados Unidos e Rússia, não querem que o Brasil saia dos acordos ambientais internacionais, como o acordo de Paris, que rege medidas de redução de emissão de gases estufa.

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“Por exemplo, Putin e Trump são dois grandes estadistas nos seus países, eles falam categoricamente que aquecimento global é fraude, eles não concordam com o acordo de Paris, mas nenhum deles apóia que o Brasil saia, então isso é evidente, eles falam isso porque eles fazem nos países deles, mas nenhum deles defende que o Brasil saia, porque eles têm interesse em cima da gente, como a China também tem interesse. China e índia inclusive também não defendem esta hipótese e adiam todos os protocolos o máximo que podem, o Brasil aceita todos”.

O professor não nega que existam alterações climáticas, porém afirma que nenhuma delas tem relação com a ação do homem no planeta. Ele diz ainda que até mesmo desmatamento e expansão de cidades não provocam qualquer alteração na temperatura do planeta como um todo.
“Amazônia representa 1% da superfície do planeta terra, então você não está queimando e destruindo a Amazônia inteira, então não é nem 1% total, isso não influenciaria a temperatura, então a gente tem que tomar muito cuidado com estas relações escalares. Por exemplo, cidades mudam o clima da terra? Ridículo isso, porque as cidades do planeta representam 0,05% da superfície. A maior parte da população, nos últimos 20 anos, está nas cidades, aí você tem esta sensação de microclima urbano e acha que isto está no planeta, mas não está, tem que tomar cuidado para diferenciar o que é microclima e clima planetário”.

Felício também afirma que não é contra a preservação do meio ambiente, apenas defende que a temperatura do planeta não é influenciada pela ação do homem. Ele diz que a sociedade deveria focar em problemas ambientais reais, como a poluição de fontes hídricas.

“Tem que descolar o discurso, uma coisa é falar de aquecimento global, que o homem está mudando o clima, e outra coisa são os cuidados que nós temos que ter com o meio ambiente, por exemplo, algo que ninguém fala é saneamento básico, que o Brasil ainda carece absurdamente, e 90% dos nossos problemas ambientais estão relacionados a saneamento básico”.

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Com aumento de 200% em pedidos de geração solar, Energisa busca mapear melhorias no atendimento

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A Concessionária Energisa Mato Grosso registrou um aumento de 200% nos pedidos de análise de projetos para a inclusão da geração solar na rede de distribuição no Estado. Desde janeiro, a empresa recebeu 400 projetos, com crescimento constante.  Em setembro este número passou para 1204.

A possibilidade de gerar energia elétrica em casa e no comércio, por meio das novas tecnologias disponíveis, tem movimentado o mercado de geração distribuída no estado. Mato Grosso ocupa o quarto lugar no ranking entre os Estados com maior potência instalada em geração solar distribuída.

Por conta da crescente demanda a Energisa convidou representantes de 12 empresas do segmento e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso (Crea-MT), para um compartilhamento de informações entre os envolvidas para estabelecer um alinhamento no processo de geração distribuída.

“Nessa reunião tentamos desmistificar a fala de que a Energisa é contrária a energia solar. Pelo contrário, procuramos as entidades para entender melhor seus anseios e demandas. A viabilização dos projetos de geração e de forma eficiente é benéfica a todos pois o objetivo comum a isso tudo é a satisfação do cliente que deseja ter essa tecnologia instalada” e que contribui para termos uma geração de energia elétrica sustentável e de menor custo”, afirma o diretor presidente da Energisa Mato Grosso, Riberto José Barbanera.

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Foram abordados no encontro o fluxo e critérios de aprovação dos projetos dentro da Energisa Mato Grosso, a realidade do setor no estado e, por parte das empresas clientes, as dificuldades que têm encontrado. “Nosso ponto principal foi criar uma aproximação com as empresas para poder ouvir mais o que elas passam e assim, aperfeiçoar o nosso atendimento”, aponta o coordenador de Projeto da Energisa Mato Grosso, Marcelo Pazoti.

Pazoti ressalta que devido o crescimento de projetos de energia solar apresentados a Energisa está se adequando a grande demanda. “Para se ter uma ideia em 2018 foram 180 projetos apresentados, em 2019 o número até agora é de 1204. Um crescimento de 668% de um ano para outro. Nossa equipe inclusive passou de duas pessoas em 2017 para nove neste ano. Tudo para atender melhor nosso cliente. Aproveitamos a oportunidade  também para apresentamos os critérios de aprovação dos projetos e tentar diminuir cerca de 300 ligações e atendimentos presenciais que realizamos por mês devido a falta de entendimento da norma”, avalia Marcelo.

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O encontro aconteceu na sede da Energisa, no dia 4 de outubro, no bairro Bandeirantes, em Cuiabá. Estiveram presentes empresas de todo o Estado. Pela Energisa, participaram a diretoria e os gestores das áreas que tratam diretamente do tema.

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