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Agronegócio

Produtores e especialistas celebram a qualidade das uvas colhidas

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Agrolink

Vitivinicultores das regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil comemoram a melhor safra em qualidade desde o início da produção dos vinhos finos de inverno. As uvas, colhidas em 2020, alcançaram alto nível de sanidade, acúmulo de açúcares, equilíbrio de acidez e concentração de antocianinas e taninos, compostos responsáveis pela cor e estrutura do vinho.

As condições climáticas, que tanto têm afetado o desenvolvimento de outras culturas, foram essenciais para esse desempenho, como explica a enóloga Isabela Peregrino, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). “O principal fator a contribuir para a qualidade especial da safra 2020 foi a longa estiagem deste inverno. De maneira geral, o manejo da videira em dupla poda, com a colheita das uvas no inverno, já se beneficia dessa característica climática presente no Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Contudo, neste ano, a estiagem começou mais cedo, em abril, e seguiu firme por todos os meses até o final da safra, em setembro”, explica.

Outra característica do inverno, que colaborou para a maior qualidade das uvas, foi a amplitude térmica. “Os meses de outono e inverno, além de bem secos, tiveram temperaturas noturnas bem baixas, o que foi determinante para a sanidade e, principalmente, para a qualidade das uvas”, avalia o presidente da Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno, Murillo de Albuquerque Regina. “Um período de maturação longo, com essas condições de dias ensolarados, noites frescas e solo seco, é extremamente importante para a maturação plena das uvas, em especial, para a maturação fenólica da casca da uva para vinhos tintos. Resultando em bom teor alcóolico, boa acidez, intensidade da cor, boa estrutura e maciez dos taninos”, acrescenta.

Os resultados poderão ser sentidos em vinhos brancos e tintos que devem chegar ao mercado a partir do próximo ano. “Para os brancos, as noites intensamente frias do início do inverno favoreceram a manutenção de acidez elevada, mesmo com alta concentração de açúcares, o que propicia equilíbrio adequado aos vinhos em relação ao frescor e ao teor alcoólico. Para os tintos, o fator que mais chama a atenção é a elevada concentração de cor dos vinhos, além dos taninos muito maduros, o que propiciará o bom amadurecimento desses vinhos em barricas de carvalho e, posteriormente, o bom envelhecimento em garrafas”, analisa Isabela Peregrino.

A enóloga esclarece que o tempo de descanso dos vinhos varia e que, por isso, a chegada ao mercado não é imediata. “Os vinhos brancos e rosés poderão estar disponíveis a partir do primeiro semestre de 2021. Os tintos, entretanto, necessitam de mais tempo de descanso e devem chegar ao mercado a partir do segundo semestre de 2021 ou no primeiro semestre de 2022. Os vinhos tintos que serão barricados deverão começar a aparecer do segundo semestre de 2022 em diante. Mas a espera do consumidor será recompensada, pois a qualidade promete”, finaliza.

Qualidade reconhecida

A produção de vinhos finos de inverno no Sudeste brasileiro teve início nos anos 2000, por meio da adoção da metodologia de dupla poda da videira, difundida pela Epamig. Desde as primeiras safras, esses vinhos têm destacado nos circuitos gastronômicos e em premiações nacionais e internacionais.

Murillo Regina, responsável pelo desenvolvimento da tecnologia no Brasil, diz que a safra colhida em 2020 deve resultar nos melhores vinhos produzidos em todo este período. “Pelo que pude acompanhar dos vinhos ainda em elaboração, em diferentes regiões que empregam a dupla poda, essa safra deve ser, sem dúvida alguma, a melhor desde o início do emprego desta técnica”, garante.

Os vitivinicultores também demonstram satisfação com as uvas colhidas. “Foi um ano muito bom, com chuvas normais no início do ciclo e um inverno mais longo e seco como não tínhamos há anos, o que resultou em uma produtividade alta com qualidade espetacular”, opina Guto Carbonari, sócio da vinícola Villa Santa Maria, no Vale do Baú, em São Paulo.

Na propriedade, administrada junto com o irmão Marco, são cultivadas as variedades Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Sauvignon Blanc, Syrah, Viogner e Chardonnay. A vinícola, em atividade desde 2004, conta com um circuito em enogastronômico e conquistou em 2018 a medalha de prata no Concurso de Bruxelas com o vinho Syrah, safra 2013.

Ricardo Baldo, engenheiro agrônomo, responsável pelo projeto da Vinícola Terras Altas, em Ribeirão Preto (SP), afirma que essa percepção sobre qualidade diferenciada das uvas tem sido compartilhada entre os produtores da região. “Nas conversas com outros vitivinicultores, o tom tem sido o mesmo. As uvas da safra 2020 foram fantásticas em termos de qualidade. A sanidade foi fora da curva. Isso nos chama atenção para uma safra que, sem dúvida alguma, será icônica para os vinhos do Sudeste brasileiro”, opina.

A vinícola, que iniciou as atividades em 2016, está na segunda safra. Atualmente, são produzidas uvas Syrah e Cabernet Sauvignon. A partir de 2021, serão colhidas também as variedades Cabernet Franc, Marselan, Grenache e Viogner. A propriedade é aberta a visitação com circuito enoturístico e de queijos artesanais.

No município de Andradas (MG), o produtor José Procópio Stella, responsável pela vinícola Stella Valentino, considera esta a melhor safra, em termos qualitativos, desde o início das colheitas em 2007. “A produtividade média foi mantida e a qualidade das uvas foi excelente, a melhor que já experimentamos”, revela o vitivinicultor, que, dentro de um ou dois anos, pretende inscrever os produtos em concursos de qualidade. Na propriedade, que também é destinada ao enoturismo, são produzidas as variedades Syrah, Tempranillo e Sauvignon Blanc.

O produtor Ronaldo Triacca colheu, em 2019, as primeiras uvas da propriedade Villa Triacca Eco Pousada e Vinhos, localizada a 60 Km de Brasília (DF), que deram origem ao primeiro vinho fino da região. “Vinificamos na Epamig em Caldas e, apesar de ter sido feito com uvas de plantas super jovens, o seu Claudino Syrah, foi bastante elogiado”, lembra.

Ronaldo integra um grupo de dez produtores rurais que se uniram para construir a Vinícola Brasília, que deve entrar em funcionamento no segundo semestre de 2021. “Temos pouca experiência ainda, na prática foi nossa segunda safra, mas foi excelente. O que nos chamou a atenção foi que tivemos um período frio mais prologando que o do ano passado, com mais dias com amplitudes térmicas maiores e, com certeza, isso refletiu na qualidade das uvas colhidas. Estamos bem otimistas quanto à qualidade dos vinhos que estão sendo elaborados”, conta.

O projeto contempla a área da vinificação e o enoturismo. A ideia é que, além de rótulos próprios, seja criada uma marca coletiva reunindo produtores do Planalto Central num raio de até 300km da Capital Federal. “Nesta safra, além da Villa Triacca, mais dois produtores do grupo, Ercoara Cordeiro e Vinho e Toscana do Cerrado, colheram uvas Syrah. As três marcas devem produzir 8 mil garrafas próprias e um blend de 3 mil garrafas com a marca Vinícola Brasília”, adianta.

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Agronegócio

Aprosoja nega agressão a servidores, mas cobra reforma administrativa

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A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) rebateu uma nota de repúdio do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Agrícola, Agrário, Pecuário e Florestal de Mato Grosso (Sintap-MT) acusando a instituição de reforçar estereótipos contra os servidores para “manipular a opinião pública e garantir a manutenção dos benefícios fiscais”. O diretor executivo da Aprosoja-MT, Wellington Rodrigues de Andrade, justifica que a propaganda “É hora de redução da máquina pública, Já!” busca debater com a classe política, com os servidores e toda a sociedade sobre a reforma administrativa proposta pelo Governo Federal.

“Fizemos a campanha para chamar atenção para o debate que está ocorrendo em Brasília. Você quer uma reforma tributária primeiro que possa aumentar a carga tributária ou você quer fazer primeiro uma reforma da máquina estatal pra depois pensar em imposto?”, questiona ele durante entrevista ao FOLHAMAX. A peça publicitária, garante Andrade, foi criada e colocada no ar para debater com os servidores sem agressão, dentro dos números e levar a mensagem à sociedade.  “Tanto que na nossa campanha a gente não agride o servidor. A gente jamais fala que o servidor não trabalha. Não vamos fazer isso. Queremos uma campanha para gerar debate, conteúdo e levar informação ao cidadão”, pondera Wellington.

A estratégia é fazer o cidadão entender o que está acontecendo em termos de tramitação de reformas no Congresso e o que pode impactar no bolso dele. “Esses foram os objetivos da campanha: mostrar aos políticos que uma reforma administrativa é essencial. Essa questão da máquina pública vai ter que ser reestruturada, não terá como fugir desse debate seja agora ou num médio prazo, até porque os estados e os governos não suportam mais os gastos que estão tendo, tem Lei de Responsabilidade Fiscal”, argumenta.

A Aprosoja afirma que a reforma administrativa precisa vir antes da tributária porque não tem ambiente necessário para fazer uma reforma tributária ampla. Observa que o Brasil vive um caos econômico e fiscal agravado com aumentos dos gastos em virtude da pandemia, além de ser ano eleitoral onde os interesses políticos prevalecem. “É um momento muito perigoso para fazer uma reforma tributária ampla porque geralmente quando faz uma reforma tributária onde tem um caos fiscal e econômico, consequentemente vai sobrar aumento de carga tributária para todo mundo, para todos os setores, não apenas para o agro”, diz Wellington Andrade.

“A gente entende a essencialidade do serviço público e do servidor, mas não tem como deixar de falar em folha de pagamento porque é o ponto central da reforma administrativa. Não foi a Aprosoja que colocou lá, foi o próprio Governo Federal que defende uma reestruturação nas carreiras e consequentemente na folha de pagamento. Essa reforma quando aprovada vai valer só pra novos funcionários contratados daqui pra frente. A gente não é contra manutenção dos direitos adquiridos, isso é constitucional”, justifica.

SEM BARÕES DO AGRO

Conforme o diretor-executivo da Aprosoja, os dados do próprio Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea) elaborados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), 57% dos produtores de grãos em Mato Grosso plantam menos de 500 hectares, ou seja, são pequenos produtores, cujas famílias são responsáveis por tocar a operação das fazendas.

“E se a gente pegar o que se poderia chamar de grandes produtores, ou seja, os mega produtores que plantam acima de 10 mil hectares, isso representa menos de 1% dos produtores no Estado. O que há no Estado é realmente uma massa de pequenos e médios produtores que geram toda essa produção de soja e milho em Mato Grosso”, diz o executivo da Aprosoja pontuando que não há que se falar em “barões da soja”.

DESONERAÇÕES E EFEITO CASCATA

O diretor da Aprosoja também cita o alto custo para produzir alimentos no Brasil e no mundo. “É por isso que na Europa e nos Estados Unidos o governo subsidia os custos de produção para que o alimento não chegue caro na ponta para o consumidor. No Brasil é a mesma coisa. O custo da produção de soja na safra que vai começar, está estimado em R$  4,1 mil para a soja e R$ 3,3 mil para o milho”.

Esses valores, segundo o executivo já levam em consideração as desonerações que estão em vigor como a Lei Kandir o Convênio 100, que reduz em 60% a base de cálculo do ICMS sobre a comercialização de insumos agropecuários, como por exemplo, os fertilizantes e defensivos, adquiridos pelos produtores. “Vamos supor que caia o Convênio 100, só na soja, em Mato Grosso, o impacto no custo seria de R$ 560 milhões e no milho teria impacto de R$ 340 milhões no custo de produção”, disse Wellington Andrade.

Segundo ele, na hipótese de ser revogada a Lei Kandir que dispõe sobre a desoneração nas exportações, só no custo da saca de soja aumentaria R$ 5,30 e por saca de milho aumentaria R$ 2,30.  Com isso, os custos de produção subiriam bastante e parte dos pequenos e médios produtores deixaria de produzir. Do outro lado, o consumidor final de carnes bovina, suína, aves e ovos seria afetado com aumento dos preços, pois a soja e o milho são a base de alimentação desses animais.

“Se a gente tiver uma redução de 20% na produção de soja e milho em Mato Grosso hoje, com base numa simulação que fizemos em 2019, o Estado deixa de arrecadar com ICMS R$ 480 milhões e deixa de arrecadar com o Fethab R$ 225 milhões se esses produtores somem de alguma forma. E Mato Grosso, que a exemplo de outros Estados está com um aperto fiscal e econômico muito grande, não conseguiria suportar no caixa um déficit de quase R$ 500 milhões. Ele deixaria de fazer investimentos que quase já não faz e também comprometeria o repasse aos Poderes e a folha de pagamento dos servidores”, explica.

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Proibição do ingrediente ativo paraquate em produtos agrotóxicos no Brasil

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Após a finalização da reavaliação toxicológica do ingrediente ativo paraquate, conduzida pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e de acordo com a Resolução de Diretoria Colegiada (RDC Nº 177, de 21 de Setembro de 2017), publicada no DOU Nº 183, de 22 de setembro do 2017, foi determinada a proibição do paraquate em produtos agrotóxicos no país e sobre as medidas transitórias de mitigação de riscos. Ficariam proibidas, após três anos contados a partir da data de publicação da resolução, a produção, a importação, a comercialização e a utilização de produtos técnicos e formulados à base do ingrediente ativo paraquate.

O prazo se encerra em 22 de setembro de 2020. A partir dessa data, fica proibida a produção, a importação, a comercialização e a utilização de qualquer agrotóxico à base do ingrediente ativo paraquate. Existe uma exceção em relação ao uso, que é a permissão para agricultores que já tenham adquirido agrotóxicos à base de paraquate por mais 30 dias (até 22 de outubro).

Passados esses 30 dias, as empresas registrantes de produtos à base de paraquate devem recolher estoques existentes em estabelecimentos comerciais e em poder dos agricultores.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e a Força Tarefa dos registrantes de paraquate solicitaram à Anvisa a prorrogação do prazo para julho de 2021, mas em reunião da diretoria colegiada, no dia 15 de setembro, a Anvisa manteve a proibição do uso e comercialização do herbicida paraquate a partir do dia 22 de setembro no Brasil.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) também solicitou que a Anvisa estabeleça um prazo mais longo para o uso de produtos à base de paraquate que já tenham sido adquiridos pelos agricultores. Com relação ao pedido, os diretores da Anvisa concordaram em discuti-lo na próxima reunião da Diretoria Colegiada, que será em 22 de setembro.

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