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Internacional

Autor de ataques contra mesquitas na Nova Zelândia decide não falar

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G1

O autor dos ataques contra duas mesquitas na cidade de Christchurch, na Nova Zelândia, em 2019, abriu mão nesta quarta-feira (26) do direito de falar no processo em que é julgado pelo assassinato de 51 pessoas, depois de ouvir durante três dias os depoimentos de sobreviventes e parentes de vítimas.

Brenton Tarrant, que demitiu o advogado de defesa no início do ano, optou por não usar o direito de expressão no tribunal. A decisão surpreendeu muitos analistas, que temiam uma tentativa de aproveitar o momento para defender suas ideias extremistas. Para evitar a possibilidade, o juiz havia determinado restrições à cobertura da imprensa.

O supremacista australiano de 29 anos, acusado de 51 homicídios, 40 tentativas de assassinato e terrorismo pelos ataques contra as mesquitas, em 15 de março de 2019, pode ser a primeira pessoa condenada à prisão perpétua sem direito à liberdade condicional na Nova Zelândia.

Acusações
“É um homem diabólico. Você matou meu filho e considero que é como se você tivesse matado toda a Nova Zelândia”, afirmou nesta quarta-feira Aden Diriye, pai de Mucaad Ibrahim, de três anos, a vítima mais jovem do ataque.

“Mas sua atrocidade e ódio não deram o resultado que esperava. Ao invés disso, uniu a nossa comunidade em Christchurch, fortaleceu nossa fé, aumentou a honra de nossas famílias e uniu a nossa pacífica nação”.

Diriye disse a Tarrant que deveria “saber que a verdadeira justiça está esperando você em sua próxima vida e será muito mais severa (que a prisão). Nunca perdoarei o que fez”, concluiu.

Hasmin Mohamedhosen, que perdeu o irmão, Mohamed, no massacre, chamou Tarrant de “filho do diabo” e afirmou desejar que “apodreça no inferno por toda a eternidade”.

Ahad Nabi, que teve o pai, Haji Daud Nabi, assassinado na mesquita de Al Noor, chamou Tarrant de covarde e disse que ele nunca deve ser liberado. “Enquanto você estiver na prisão, perceberá que está no inferno e que apenas o fogo o aguarda”, declarou.

Tarrant permaneceu impassível enquanto os sobreviventes e parentes das vítimas, membros da comunidade muçulmana, apresentavam seus relatos e falavam olhando em sua direção, alguns com revolta, pedindo justiça, e outros muito consternados.

 O atentado

No início da terceira fase do julgamento, o promotor Barnaby Hawes contou que Tarrant chegou à Nova Zelândia em 2017. Ele morava em Dunedin, 360 km ao sul de Christchurch, onde acumulou um arsenal e comprou mais de 7 mil munições.

Dois meses antes dos ataques, ele viajou a Christchurch para observar os lugares. Usou um drone para filmar as entradas e saídas da mesquita de Al Noor, ao mesmo tempo que fez anotações detalhadas do trajeto até a mesquita de Linwood.

Em 15 de março de 2019, Tarrant dirigiu de Dunedin até Christchurch, equipado com várias armas semiautomáticas nas quais incluiu vários símbolos, além de referências às Cruzadas e a atentados recentes.

Ele estava com os carregadores repletos de munições e garrafas “para incendiar as mesquitas”, declarou Hawes. “Ele disse que lamentava não ter feito isso”.

Alguns minutos antes dos ataques, o australiano enviou seu “manifesto” de 74 páginas a um site extremista, avisou a sua família sobre o que pretendia fazer e enviou e-mails a várias redações com ameaças contra as mesquitas.

O massacre levou o governo a endurecer as leis sobre as armas e a intensificar a luta contra o extremismo na internet.

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Internacional

Vizcarra enfrenta Congresso peruano em processo de impeachment

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G1

O presidente do Peru, Martín Vizcarra, enfrenta nesta sexta-feira (18) um julgamento no Congresso que ameaça tirá-lo do poder em um momento em que o país vive o agravamento da pandemia do novo coronavírus e uma grave recessão econômica.

O processo de impeachment contra Vizcarra, de 57 anos, foi aberto na semana passada, depois do vazamento de áudios que, segundo parlamentares, mostram o presidente tentando minimizar a sua relação com o cantor Richard Cisneros, investigado por conta de contratos irregulares com o governo.

Nos áudios, Vizcarra conversa com duas assessoras sobre as idas de Cisneros ao palácio presidencial e pede para que mintam em um inquérito parlamentar.

Em seu discurso diante dos parlamentares, o presidente colocou-se à disposição do Ministério Público e fez um apelo para que os congressistas “não se distraiam” neste momento em que o país enfrenta a crise do coronavírus.

Segundo o mandatário, até o momento, não há comprovação de irregularidades que justificassem a sua destituição. “O único ato ilegal que está comprovado até agora é a gravação clandestina”, afirmou.

Após o pronunciamento do presidente, o seu advogado, Roberto Pereira Chumbe, deu início à sua defesa.

Após as argumentações da acusação e da defesa, os parlamentares debaterão antes de votar uma moção para destituir o atual mandatário.

Se Vizcarra for derrubado, o chefe do Congresso, Manuel Merino, político discreto quase desconhecido dos peruanos, assumirá as rédeas do país. O popular presidente, que deixaria o poder dez meses antes do término de seu mandato, teria um destino semelhante ao de seu antecessor Pedro Pablo Kuczysnki (2016-2018), que foi forçado a renunciar sob pressão do Parlamento.

Derrota no Tribunal Constitucional
Na quinta-feira (17), o Tribunal Constitucional rejeitou uma medida cautelar solicitada por Vizcarra para suspender o julgamento.

A juíza Marianella Ledesma destacou que o tribunal não concedeu a medida, porque “o risco de vacância diminuiu”, sinal de que os inimigos de Vizcarra não teriam votos para destituí-lo, segundo a agência France Presse.

A imprensa local avalia que é muito improvável que os deputados votem em maioria pela sua saída.

César Acuña, chefe do segundo maior partido no Congresso e possível candidato nas eleições presidenciais de 2021, já afirmou que uma derrubada de Vizcarra “só poderia agravar” a situação atual do país, já fragilizado pelo impacto da crise provocada pelo novo coronavírus.

A aprovação do impeachment no Congresso exige 87 votos dos 130 parlamentares. Na abertura do processo, a oposição conseguiu 65 votos (21 deles do Alianza para el Progreso, de Cesar Acuña).

Apesar do desgaste, Vizcarra mantém alta a sua popularidade. Uma pesquisa da Ipsos apontou que oito a cada dez peruanos querem que ele permaneça à frente do Executivo.

‘Complô contra a democracia’
A abertura do processo de impeachment acontece em meio a confrontos entre o Legislativo e o Executivo pela aprovação de uma reforma política promovida pelo governo. A mudança deixaria candidatos condenados pela Justiça fora das eleições.

Vizcarra, um centrista que assumiu a presidência em 2018 após a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski, acusa o Congresso de “complô contra a democracia”. Ele não tem representação no Congresso e não pode concorrer nas eleições do próximo ano devido aos limites constitucionais.

 

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Internacional

Nova York adia novamente início de aulas presenciais em escolas públicas

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G1

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, anunciou na quinta-feira (17) o adiamento do reinício do ensino presencial nas escolas públicas da cidade pela segunda vez por causa da pandemia.

Embora as aulas pela internet tenham começado, o início do ensino presencial já havia sido adiado anteriormente do dia 10 de setembro para o dia 21, para os alunos que optaram por voltar às salas de aula.

Agora, apenas crianças em idade pré-escolar e alunos com necessidades especiais de aprendizagem irão se dirigir aos prédios escolares na segunda-feira (21), disse o prefeito em entrevista coletiva. Os estudantes do ensino primário irão começar na terça-feira (29). Alunos do ensino médio começarão na quinta-feira (1º).

O maior distrito escolar dos Estados Unidos, que atende mais de 1,1 milhão de crianças e adolescentes, enfrenta dificuldades para encontrar funcionários dispostos a trabalhar em salas de aula durante a pandemia de Covid-19.

O adiamento aconteceu após líderes de sindicatos de professores falarem a respeito de preocupações com relação à volta às aulas presenciais.

“Embora eles reconheçam que houve um progresso real, não foi feito o suficiente, e é preciso fazer mais para nos certificarmos de que as coisas estejam firmes como elas precisam estar”, disse de Blasio a jornalistas.

O prefeito afirmou que estudantes e funcionários seguem mudando de opinião sobre a disposição para o ensino presencial, o que torna difícil o planejamento para direcionar professores para equipar cada sala de aula.

No total, 4,5 mil educadores foram contratados, disse de Blasio, acrescentando que espera anunciar ainda mais contratações nas próximas semanas.

A maioria dos outros distritos escolares nos Estados Unidos descartou planos de retomar o ensino presencial no momento. Em Los Angeles, segundo maior distrito escolar do país, e em Chicago, os estudantes estão ficando em casa e usando computadores para assistir suas aulas.

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