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Internacional

Duas questões que ameaçam a reeleição de Trump e como ele pode superá-las

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G1

Se usarmos a história como parâmetro, Donald Trump deveria ser o candidato favorito para ganhar as eleições presidenciais americanas em novembro.

Mas ele não é.

O presidente americano, que na segunda-feira (24) foi indicado oficialmente como candidato à reeleição durante a Convenção Nacional do Partido Republicano, aparece de forma consistente nas pesquisas de intenção de voto atrás do adversário democrata, Joe Biden.

Até agora, apenas 10 dos 45 presidentes perderam a disputa, sendo 4 no século passado.

Na disputa atual, a distância entre Biden e Trump passou de 4 pontos percentuais no início do ano para algo entre 7 e 10 pontos percentuais, a depender da fonte consultada.

Estar alguns pontos atrás nas pesquisas eleitorais não é necessariamente um decreto de derrota, muito menos nos EUA, onde os presidentes são eleitos por meio de um mecanismo conhecido como colégio eleitoral (que permitiu a Trump vencer Hillary Clinton em 2016 mesmo obtendo menos votos no total).

No entanto, muitos especialistas concordam que Trump se encontra agora em uma posição muito mais difícil do que em janeiro, e que, caso se mantenham as tendências atuais, é muito provável que ele seja derrotado em novembro.

Por quê?

A BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) explica os principais fatores que têm afetado negativamente a campanha de reeleição de Trump.

1. Combate à pandemia
“Como a maioria das disputas presidenciais que envolvem reeleição, esta é um referendo sobre o presidente em exercício e seu desempenho no cargo”, explica Whit Ayres, pesquisador sobre o Partido Republicano, em entrevista à BBC News Mundo.

Como exemplos de que nem sempre os mandatários são favoritos, ele cita o democrata Jimmy Carter em 1980 e o republicano George H.W. Bush em 1992.

Para o analista, Trump estava em uma posição mais favorável antes da pandemia de covid-19. “Os níveis de aprovação de sua condução da pandemia estiveram em terreno positivo durante algumas semanas em março, mas desde então têm registrado uma tendência de queda sustentada, e é isso que o mantém atrás de Biden.”

Ayres destaca que, atualmente, 40% dos americanos aprovam e 58% desaprovam a gestão de Trump sobre a crise de coronavírus.

Stuart Rothenberg, analista político e editor sênior do site especializado InsideElections, considera que a resposta à pandemia do governo e, mais especificamente de Trump, gerou nos cidadãos a percepção de não serem capazes de entender o que estava acontecendo.

“O índice de infecções e mortes crescia, e o presidente falava que a pandemia iria desaparecer. O pior que pode acontecer com você é a percepção de que você não está em contato com a realidade ou de que é insensível.”

O especialista lembra que isso aconteceu em 1992 com George W.H. Bush porque este não sabia qual era o preço de uma garrafa de leite.

“Em seu estilo, o presidente é um líder de torcida. Ele sempre foi o mesmo. Ele diz: ‘Tudo é maravilhoso. Estou no controle. Vou consertar’. E isso funciona quando as coisas estão indo bem, porque você pode levar o crédito pelo sucesso. Mas é mais difícil se gabar de como as coisas vão bem quando as pessoas estão morrendo e os números indicam que não conseguimos controlar o vírus.”

Rothenberg acredita que, com essa atitude, Trump enfraqueceu sua posição com eleitores indecisos e até mesmo com alguns republicanos.

Paradoxalmente, a pandemia poderia ter sido uma oportunidade para o presidente fortalecer sua liderança eleitoral, como, segundo Ayres, aconteceu com vários líderes ao redor do mundo e até mesmo com governadores americanos.

2. Protestos contra injustiça racial
O assassinato em Minneapolis do ex-segurança negro George Floyd, que morreu em maio sufocado por um policial durante uma abordagem, desencadeou a maior onda de protestos raciais nos Estados Unidos desde os anos 1960.

As manifestações, na maior parte pacíficas e com a participação de cidadãos de diferentes raças, idades e classes sociais, ocorreram em dezenas de cidades em todo o país, colocando no centro da agenda política o tema da injustiça racial e reabrindo o debate sobre o racismo estrutural nos EUA.

Segundo analistas consultados pela BBC News Mundo, neste caso, Trump errou em sua estratégia de atacar os manifestantes, ao acusá-los de saquearem lojas e respondendo com mão dura — enviando a Guarda Nacional a algumas cidades.

“Ele pareceu insensível ante o coronavírus e as injustiças raciais. Sem reconhecer o grande abismo econômico racial ou problemas na forma com que a polícia trata os negros e as minorias em geral”, avalia Rothenberg.

Para o analista, os protestos que se tornaram violentos deram a Trump a oportunidade de fazer seu discurso em defesa da “lei e ordem”, que encontra eco entre seus eleitores mais fiéis, mas não no resto do eleitorado.

“A maioria dos americanos consegue distinguir saqueadores de cidadãos que protestam dentro da lei.”

Para Whit Ayres, a condução dos protestos após a morte de George Floyd não é a principal fonte de descontentamento em relação a Trump, “mas faz parte de um quadro maior que reforça o sentimento das pessoas de que nos Estados Unidos as coisas estão fora de controle e de que o país está indo na direção errada”. Essas avaliações se refletem nas pesquisas, segundo ele.

Estratégia que tira votos
O que Trump está fazendo então para recuperar o terreno perdido?

Anthony Zurcher, correspondente da BBC na América do Norte, considera que o presidente americano tinha uma estratégia de campanha no início do ano que acabou derrubada pelos efeitos da pandemia.

“Trump começou o ano com uma estratégia clara de como ganharia a reeleição. Ele se gabaria de como conduziu uma economia em seu 11º ano de crescimento. Ele falaria sobre seus acordos comerciais e como o manteve a nação em paz.”

“Joe Biden seria apresentado como uma operação arriscada num momento em que as coisas estavam indo tão bem. Mas a pandemia virou essa estratégia de cabeça para baixo”, avalia Zurcher.

Os efeitos do coronavírus na economia dos Estados Unidos foram catastróficos. A taxa de desemprego subiu de 3,5% em fevereiro para 14,7% em abril, embora tenha diminuído lentamente para 10,2% em julho.

No segundo trimestre do ano, a economia recuou a uma taxa de 32,9%, a maior queda da história do país.

“Agora, o presidente precisa explicar por que a economia está com problemas graves, por que mais de 170 mil americanos morreram e por que muitas cidades do país foram sacudidas por protestos contra a injustiça racial.”

Analistas ouvidos pela reportagem consideram que, ao não poder contar mais com sua estratégia eleitoral inicial, Trump recorreu à mesma fórmula que o elegeu há quatro anos.

“Sua mensagem é essencialmente a mesma de 2016. O país mudou, mas a mensagem do presidente continua igual”, pontua Ayres.

Rothenberg avalia, no entanto, que desta vez Trump não contará com a “janela de oportunidades” que teve em 2016, quando muitos eleitores do Partido Democrata não foram às urnas porque não se convenceram de que havia muitas diferenças entre os candidatos, ambos tidos como representantes dos interesses das grandes empresas.

“Quatro anos de Trump na Casa Branca mudaram essa equação, e ainda que a economia tenha funcionado bem durante um tempo, agora a situação é desesperadora.”

O analista considera que, ao assumir o mesmo estilo e retórica das eleições de 2016, Trump tem alijado muitos eleitores de grupos minoritários, jovens, homens e mulheres com educação superior e até mesmo apoiadores de seu partido.

“Esses eleitores esperam que seu presidente fale com uma certa linguagem, mas ele se manteve como um outsider ao criticar o establishment.” Segundo ele, ainda que essa estratégia sirva para mobilizar a base de apoio mais sólida de Trump, há sérias dúvidas se ela será suficiente para lhe garantir a vitória.

Trump pode reverter o prejuízo?
Ainda que ele esteja atrás das pesquisas de intenção de voto, a possibilidade de reeleição de Trump continua sendo bastante real.

“Seria tolo considerar garantida a vitória de Biden porque ele não é um grande candidato. Muita gente acredita que ele seja um homem decente e honrado, mas não é o candidato ideal para seus correligionários e eleitores. O presidenciável ideal do Partido Democrata seria uma governadora de até 50 anos, moderada e pragmática”, avalia Rothenberg.

O especialista espera que a maior parte dos eleitores republicanos se mantenha fiel a Trump por lealdade ao partido, por ideologia ou por acreditar que o Partido Democrata acabaria aumentando o tamanho do Estado ou criando mais impostos e regulações.

“As pessoas que se preocupam com esses pontos vão continuar apoiando Trump e sair para votar. O problema é que agora o presidente está dez pontos percentuais atrás nas pesquisas eleitorais, e ele não pode se dar ao luxo de continuar perdendo eleitores. Então precisa redefinir a natureza da disputa eleitoral”, afirma Rothenberg.

Segundo Rothenberg, o presidente já está tentando dar uma guinada na campanha em busca de um tema que servirá para subtrair votos do Partido Democrata e, em geral, de todos os seus adversários.

Primeiro, apostou no discurso de lei e ordem para atrair votos de eleitores suburbanos. Depois, afirmou que Biden é um socialista que vai implantar o socialismo nos Estados Unidos. “Há socialistas no Partido Democrata, mas Biden não é um deles. Então Trump busca o tempo inteiro por algo que atrapalhe seus adversários, embora até agora ele não tenha tido sucesso. Ele vai conseguir? Não sei “, diz o especialista.

Ayres, por sua vez, acredita que as chances de Trump estão mais ligadas à pandemia, já que os EUA têm 4% da população mundial e chegaram a somar 25% dos casos no mundo.

“Acho que suas melhores chances são que as novas infecções desabem consideravelmente e que a economia comece uma recuperação rápida.”

Na opinião de Anthony Zurcher, da BBC, esta semana, na qual ele oficializa sua candidatura, é fundamental para o presidente conseguir reorientar sua campanha eleitoral e aumentar suas chances de vitória.

“Para que Trump conquiste a vitória, como fez em 2016, ele terá que convencer os americanos de que é o mais capaz de liderar a nação em meio às crises atuais. Parte passa por lembrar o quão bem o país estava antes da pandemia. A outra parte passa por apresentar seu adversário, Joe Biden, como uma alternativa inaceitável: por ser muito fraco ou estar muito à esquerda”, diz.

 

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Vizcarra enfrenta Congresso peruano em processo de impeachment

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G1

O presidente do Peru, Martín Vizcarra, enfrenta nesta sexta-feira (18) um julgamento no Congresso que ameaça tirá-lo do poder em um momento em que o país vive o agravamento da pandemia do novo coronavírus e uma grave recessão econômica.

O processo de impeachment contra Vizcarra, de 57 anos, foi aberto na semana passada, depois do vazamento de áudios que, segundo parlamentares, mostram o presidente tentando minimizar a sua relação com o cantor Richard Cisneros, investigado por conta de contratos irregulares com o governo.

Nos áudios, Vizcarra conversa com duas assessoras sobre as idas de Cisneros ao palácio presidencial e pede para que mintam em um inquérito parlamentar.

Em seu discurso diante dos parlamentares, o presidente colocou-se à disposição do Ministério Público e fez um apelo para que os congressistas “não se distraiam” neste momento em que o país enfrenta a crise do coronavírus.

Segundo o mandatário, até o momento, não há comprovação de irregularidades que justificassem a sua destituição. “O único ato ilegal que está comprovado até agora é a gravação clandestina”, afirmou.

Após o pronunciamento do presidente, o seu advogado, Roberto Pereira Chumbe, deu início à sua defesa.

Após as argumentações da acusação e da defesa, os parlamentares debaterão antes de votar uma moção para destituir o atual mandatário.

Se Vizcarra for derrubado, o chefe do Congresso, Manuel Merino, político discreto quase desconhecido dos peruanos, assumirá as rédeas do país. O popular presidente, que deixaria o poder dez meses antes do término de seu mandato, teria um destino semelhante ao de seu antecessor Pedro Pablo Kuczysnki (2016-2018), que foi forçado a renunciar sob pressão do Parlamento.

Derrota no Tribunal Constitucional
Na quinta-feira (17), o Tribunal Constitucional rejeitou uma medida cautelar solicitada por Vizcarra para suspender o julgamento.

A juíza Marianella Ledesma destacou que o tribunal não concedeu a medida, porque “o risco de vacância diminuiu”, sinal de que os inimigos de Vizcarra não teriam votos para destituí-lo, segundo a agência France Presse.

A imprensa local avalia que é muito improvável que os deputados votem em maioria pela sua saída.

César Acuña, chefe do segundo maior partido no Congresso e possível candidato nas eleições presidenciais de 2021, já afirmou que uma derrubada de Vizcarra “só poderia agravar” a situação atual do país, já fragilizado pelo impacto da crise provocada pelo novo coronavírus.

A aprovação do impeachment no Congresso exige 87 votos dos 130 parlamentares. Na abertura do processo, a oposição conseguiu 65 votos (21 deles do Alianza para el Progreso, de Cesar Acuña).

Apesar do desgaste, Vizcarra mantém alta a sua popularidade. Uma pesquisa da Ipsos apontou que oito a cada dez peruanos querem que ele permaneça à frente do Executivo.

‘Complô contra a democracia’
A abertura do processo de impeachment acontece em meio a confrontos entre o Legislativo e o Executivo pela aprovação de uma reforma política promovida pelo governo. A mudança deixaria candidatos condenados pela Justiça fora das eleições.

Vizcarra, um centrista que assumiu a presidência em 2018 após a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski, acusa o Congresso de “complô contra a democracia”. Ele não tem representação no Congresso e não pode concorrer nas eleições do próximo ano devido aos limites constitucionais.

 

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Nova York adia novamente início de aulas presenciais em escolas públicas

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G1

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, anunciou na quinta-feira (17) o adiamento do reinício do ensino presencial nas escolas públicas da cidade pela segunda vez por causa da pandemia.

Embora as aulas pela internet tenham começado, o início do ensino presencial já havia sido adiado anteriormente do dia 10 de setembro para o dia 21, para os alunos que optaram por voltar às salas de aula.

Agora, apenas crianças em idade pré-escolar e alunos com necessidades especiais de aprendizagem irão se dirigir aos prédios escolares na segunda-feira (21), disse o prefeito em entrevista coletiva. Os estudantes do ensino primário irão começar na terça-feira (29). Alunos do ensino médio começarão na quinta-feira (1º).

O maior distrito escolar dos Estados Unidos, que atende mais de 1,1 milhão de crianças e adolescentes, enfrenta dificuldades para encontrar funcionários dispostos a trabalhar em salas de aula durante a pandemia de Covid-19.

O adiamento aconteceu após líderes de sindicatos de professores falarem a respeito de preocupações com relação à volta às aulas presenciais.

“Embora eles reconheçam que houve um progresso real, não foi feito o suficiente, e é preciso fazer mais para nos certificarmos de que as coisas estejam firmes como elas precisam estar”, disse de Blasio a jornalistas.

O prefeito afirmou que estudantes e funcionários seguem mudando de opinião sobre a disposição para o ensino presencial, o que torna difícil o planejamento para direcionar professores para equipar cada sala de aula.

No total, 4,5 mil educadores foram contratados, disse de Blasio, acrescentando que espera anunciar ainda mais contratações nas próximas semanas.

A maioria dos outros distritos escolares nos Estados Unidos descartou planos de retomar o ensino presencial no momento. Em Los Angeles, segundo maior distrito escolar do país, e em Chicago, os estudantes estão ficando em casa e usando computadores para assistir suas aulas.

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