O mercado brasileiro de milho segue operando sob forte pressão em razão da ampla oferta disponível no país. A combinação de uma safra de verão robusta com uma segunda safra (safrinha) ainda volumosa mantém o abastecimento confortável e explica a recente queda das cotações no mercado interno, especialmente nos contratos negociados na B3.
A avaliação é da StoneX, que, em sua atualização de julho, destaca que, embora tenham ocorrido perdas pontuais em estados como Goiás e Minas Gerais, a produção nacional permanece suficiente para garantir elevado volume disponível ao mercado no curto prazo.
Safra cheia mantém preços do milho pressionados
Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Raphael Bulascoschi, a elevada disponibilidade do cereal continua sendo o principal fator de pressão sobre os preços.
Além da grande oferta, outro elemento limita a valorização do milho brasileiro: a menor competitividade das exportações nacionais no mercado internacional.
Mesmo com a demanda doméstica aquecida, principalmente pelos setores de proteína animal, etanol de milho e indústria de rações, uma parcela maior da produção permanece no mercado interno devido à dificuldade de competir com outros grandes exportadores.
Estados Unidos e Argentina ampliam concorrência global
O cenário internacional também contribui para o enfraquecimento dos preços.
Em 2025, os Estados Unidos registraram uma produção recorde de milho, fortalecendo sua presença nas exportações mundiais. Já em 2026, a Argentina caminha para uma safra histórica, favorecida pela redução das tarifas de exportação, o que amplia ainda mais sua competitividade no comércio internacional.
Outro fator que pesa sobre o desempenho brasileiro é a valorização do real observada ao longo dos últimos 18 meses, reduzindo a atratividade do milho nacional para compradores externos e limitando o ritmo das exportações.
Como consequência, um volume maior de grãos permanece disponível no mercado doméstico, contribuindo para a pressão sobre as cotações.
Mercado acompanha desenvolvimento da safra americana
Para o segundo semestre, o foco dos investidores e agentes do mercado estará voltado para a evolução da safra dos Estados Unidos.
Caso os norte-americanos confirmem mais uma colheita cheia, a tendência é de manutenção da pressão sobre as cotações internacionais negociadas na Bolsa de Chicago, reduzindo o espaço para uma recuperação consistente dos preços no Brasil.
Entretanto, a StoneX ressalta que ainda é cedo para confirmar esse cenário, já que a lavoura norte-americana permanece em fase de desenvolvimento e ainda está sujeita a riscos climáticos.
Safra 2026/27 concentra principais riscos para o mercado
Embora o balanço atual de oferta seja confortável, as atenções começam a migrar para a próxima temporada brasileira.
Após uma safra excepcional, especialistas avaliam que será difícil repetir os mesmos resultados em 2026/27.
Entre os fatores que podem reduzir a produção destacam-se:
- aumento dos custos dos fertilizantes, que pode limitar a área cultivada;
- possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño;
- risco de atraso no plantio da soja;
- redução da janela ideal para o plantio do milho safrinha.
Esse conjunto de fatores poderá comprometer o potencial produtivo da próxima safra e alterar significativamente o equilíbrio entre oferta e demanda.
Câmbio e clima podem impulsionar recuperação dos preços
Outro fator que deve aumentar a volatilidade do mercado é o comportamento do câmbio.
Com a aproximação do ciclo eleitoral brasileiro, a expectativa é de maior instabilidade no mercado financeiro, o que poderá influenciar diretamente a competitividade das exportações de milho.
Na avaliação da StoneX, apesar de o mercado apresentar conforto no abastecimento no curto prazo, os riscos para o médio prazo passam a favorecer um movimento de recuperação das cotações.
Caso ocorram problemas climáticos na próxima safra, aumento dos custos de produção ou mudanças no câmbio, o atual cenário de pressão poderá dar lugar a um mercado mais equilibrado, com potencial de valorização dos preços pagos ao produtor.
Perspectiva para o milho
O mercado brasileiro de milho entra no segundo semestre dividido entre dois cenários distintos. Enquanto a oferta abundante mantém os preços pressionados no presente, as incertezas relacionadas ao clima, aos custos de produção, ao câmbio e ao mercado internacional aumentam as chances de recuperação das cotações ao longo da safra 2026/27.
Para produtores, cooperativas e compradores, os próximos meses serão decisivos para definir a direção do mercado e o comportamento dos preços tanto no Brasil quanto no cenário global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio