Saúde
Lula e Padilha anunciam R$ 476 milhões para ampliar atendimento especializado e reforçar a rede SUS em Minas Gerais
Publicado
19 de junho de 2026, 18:01
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciaram nesta sexta-feira (19), em Minas Gerais, R$ 91 milhões para o Hospital Luxemburgo, do Instituto Mário Penna, que se tornou uma unidade 100% SUS. Pelo programa Agora Tem Especialistas, o hospital recebeu um acelerador linear para radioterapia e um equipamento de cirurgia robótica. Em Divinópolis, foi inaugurado o Hospital Universitário da Universidade Federal de São João del-Rei (HU-UFSJ), que contará com R$ 341 milhões anuais do Governo Federal. No município, também foram realizadas entregas do Novo PAC Saúde, e assinatura de atos que inclui oferta de novos leitos.
“Resolvemos criar o Agora Tem Especialistas para que as pessoas mais humildes deste país, independente do berço em que nasceram, da renda, da cor, do time, todos devem ser tratados em igualdade de condições. E tratar da saúde é um direito do estado brasileiro”, destacou o presidente Lula.
O Hospital Luxemburgo, do Instituto Mário Penna, é referência em oncologia em Minas Gerais e atende pacientes de mais de 500 municípios. A unidade concentra cerca de 30% da demanda de quimioterapia e 23% das cirurgias oncológicas realizadas na capital.
“O equipamento mais moderno que temos para radioterapia está aqui e é pelo SUS, que proporciona isso de forma gratuita ao povo brasileiro. Estamos fazendo essa entrega em um hospital que conta com uma rede valiosa para o tratamento do câncer, formada por profissionais de saúde qualificados. Além de investir na oncologia, o que já é muito importante, por meio do Agora Tem Especialistas, estamos abrindo portas também para tratar cardiologia e realizar cirurgias aqui”, ressaltou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Durante a agenda, foram apresentados os marcos da transformação do hospital em uma unidade 100% SUS, iniciativa que contará com aporte anual de R$ 70,5 milhões do Ministério da Saúde para o custeio dos serviços.
O novo acelerador linear de alta tecnologia qualificará a oferta de radioterapia na região. Com investimento federal de R$ 9,3 milhões, o equipamento permite tratamentos mais rápidos e precisos, reduzindo o número de sessões e os impactos para os pacientes. O Instituto Mário Penna já contava com outros três aceleradores lineares, e agora com o novo aparelho poderá disponibilizar ainda mais atendimentos.
Alta tecnologia para pacientes do SUS
Em Belo Horizonte, também foi assinada a autorização para a aquisição de um equipamento de cirurgia robótica prostática, com investimento federal de R$ 11,4 milhões. A iniciativa permitirá que o Instituto Mário Penna, por meio do Hospital Raja, realize, pela primeira vez, cirurgias robóticas oncológicas pelo SUS na capital mineira, com previsão de cerca de 200 procedimentos por ano.
Homenagem aos sanitaristas
Lula e Padilha homenagearam sanitaristas em BH, com a entrega da Carteira Nacional de Sanitaristas para profissionais que estão dentro da determinação estabelecida por lei. A regulamentação da profissão de sanitarista é um avanço estratégico para o fortalecimento das políticas públicas de saúde no Brasil. Além de contribuir para conferir maior segurança institucional, valorização profissional e densidade técnica a uma categoria fundamental para o planejamento, a gestão e a implementação de respostas aos desafios sanitários do país.
Novo hospital universitário em Divinópolis
Em Divinópolis (MG), o presidente da República, o ministro da Saúde e o ministro da Educação, Leonardo Barchini, inauguraram o Hospital Universitário da Universidade Federal de São João del-Rei (HU-UFSJ), unidade 100% SUS de média e alta complexidade voltada às especialidades clínicas, cirúrgicas e materno-infantis. Integrante da Rede HU Brasil, o hospital atenderá os 54 municípios da Macrorregião Oeste de Saúde de Minas Gerais, beneficiando cerca de 1,3 milhão de pessoas.
A estrutura conta com 198 leitos e capacidade para realizar 8.760 internações e 74 mil consultas ambulatoriais por ano. A unidade dispõe de leitos clínicos, cirúrgicos, pediátricos, obstétricos e de terapia intensiva, além de estrutura completa para diagnóstico por imagem, com ressonância magnética, tomografia computadorizada, mamografia, ultrassonografia e hemodinâmica. O funcionamento ocorrerá de forma gradual ao longo dos próximos 12 meses.
Ao final da implantação, o hospital contará com cerca de 1.300 profissionais, integrando assistência, ensino, pesquisa e inovação. Para garantir o funcionamento da unidade, o Governo do Brasil destinará R$ 341 milhões por ano, sendo R$ 111 milhões do Ministério da Saúde para custeio dos serviços e R$ 230 milhões do Ministério da Educação para o pagamento dos profissionais de saúde.
Mais atendimentos de média e alta complexidade
Também nesta sexta-feira (19), o presidente e o ministro da Saúde assinaram dois atos voltados ao fortalecimento da assistência de saúde de média e alta complexidade em Minas Gerais. O primeiro autoriza a contratação de financiamento de R$ 41,9 milhões, por meio do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS), para a modernização e aquisição de equipamentos para o Complexo de Saúde São João de Deus, em Divinópolis. O segundo formaliza a habilitação de 10 leitos de UTI Adulto Tipo II para a Santa Casa de Arcos, com a destinação de R$ 1,9 milhão anuais para o custeio da unidade, reforçando a capacidade de atendimento na região.
Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde
Ainda em Divinópolis (MG), foram entregues 13 veículos por meio do Novo PAC Saúde e do programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde. A iniciativa garante o transporte de pacientes que precisam percorrer mais de 50 quilômetros para realizar consultas, exames e tratamentos especializados, como radioterapia, oncologia e hemodiálise.
Do total de entregas, foram duas vans para os municípios de Minduri e São Bento Abade, seis micro-ônibus para Baependi, Cristina, Extrema, Itamonte, Pedralva e Pirapetinga, além de cinco ambulâncias destinadas a Brazópolis, Cana Verde, Canápolis, Dom Bosco e Serranos.
Em Minas Gerais, já foram selecionados 314 veículos do programa Caminhos da Saúde, com investimentos superiores a R$ 127 milhões, ampliando o acesso da população aos serviços especializados em todas as regiões do estado.
Avanços na atenção especializada
Lançado para reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias, o programa Agora Tem Especialistas mobilizou as redes pública, filantrópica e complementar para ampliar o acesso da população aos serviços especializados do SUS. Em 2025, contribuiu para o recorde histórico de 14,9 milhões de cirurgias eletivas, volume 42% superior ao registrado em 2022, além da realização de 1,6 bilhão de consultas especializadas (+30%) e 1,3 bilhão de exames (+22%).
A estratégia também ampliou a oferta de profissionais, com mais de 1,3 mil novos médicos especialistas atuando em regiões com carência desses serviços, e realizou 470 mil procedimentos por meio das Carretas da Saúde, que já zeraram filas de exames de imagem, oncológicos e oftalmológicos em mais de 40 regiões de saúde. Nos cinco mutirões promovidos pelo programa, foram realizados mais de 383 mil procedimentos, incluindo o maior mutirão da história voltado à saúde da mulher, com 230 mil atendimentos em um único fim de semana.
Para acelerar a redução do tempo de espera, o programa passou a utilizar a capacidade instalada de hospitais privados e filantrópicos para atender pacientes do SUS em troca de abatimento de dívidas tributárias com a União. Além disso, o Ministério da Saúde investiu na aquisição de 3,3 mil veículos para garantir o transporte dos pacientes.
Outra medida foi a criação da Tabela Agora Tem Especialistas, com valores que chegam a triplicar a remuneração de determinados procedimentos em relação à antiga Tabela SUS, resultando em um repasse federal adicional de R$ 1 bilhão para Santas Casas e hospitais filantrópicos.
Camila Marques
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Saúde
Governo do Brasil cria política integrada para formação médica
Publicado
19 de junho de 2026, 18:02
O Governo do Brasil editou, nesta sexta-feira, 19 de junho, Medida Provisória que cria uma política integrada para a formação em medicina no país. O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) passa a valer como avaliação obrigatória da graduação, exame de acesso à residência médica e, ainda, requisito para o exercício profissional. A medida foi assinada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado dos ministros da Educação, Leonardo Barchini, e da Saúde, Alexandre Padilha, durante a inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de São João del-Rei (HU-UFSJ), em Divinópolis (MG).
A normativa parte do entendimento de que todos esses processos possuem objetivo comum: a verificação da capacidade do participante de exercer a medicina com segurança, responsabilidade ética e domínio técnico. Assim, o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Saúde (MS) buscam garantir que a graduação, a residência e a habilitação desses profissionais operem com referenciais comuns e alinhamento às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS), para atender ao direito fundamental da população brasileira à saúde.
Com a proposta, as pastas esperam melhorar a qualidade da formação médica e ampliar a comparabilidade dos resultados avaliativos para o aprimoramento dos processos regulatórios. O texto foi construído a partir do diálogo com diferentes atores da formação médica, incluindo órgãos governamentais, instituições de ensino e entidades representativas da área da saúde.
O Enamed será realizado semestralmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com aplicação descentralizada em todos os municípios que tenham oferta de cursos de graduação em medicina. A edição de 2026 já tem inscrições abertas, que seguem até 29 de junho. As provas serão aplicadas em 13 de setembro e seus resultados serão válidos, nessa edição, apenas para avaliação dos cursos de graduação e para acompanhamento da formação dos estudantes.
Criação – Concebido como modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para os cursos de medicina, o Enamed teve sua primeira edição em 2025, quando unificou matrizes de referência e instrumentos de avaliação para análise de competências de estudantes, a fim de monitorar o ensino ofertado por instituições públicas e privadas. Dessa forma, o exame tornou-se parte do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes).
Além disso, a prova converteu-se na parte teórica do Exame Nacional de Residência (Enare) e seus resultados foram utilizados para programas de residência médica de acesso direto. As inscrições para o Enare 2026/2027 também estão abertas, e o processo seletivo das especialidades de acesso direto continuará utilizando os resultados do Enamed.
Mudanças – Com a MP, a novidade é que a avaliação acontecerá, obrigatoriamente, em dois momentos: ao final do 4º ano, etapa predominantemente diagnóstica e formativa; e na conclusão do último ano do curso — a aprovação nesta segunda etapa passa a ser requisito para que o graduado realize sua inscrição no Conselho Regional de Medicina, necessária para o exercício legal da profissão.
A MP entra em vigor imediatamente, mas a exigência de proficiência na prova para o exercício profissional vai valer apenas para quem ingressar na graduação a partir da data da sua publicação. Além disso, o graduado que não obtiver avaliação satisfatória na segunda etapa do Enamed poderá refazê-la em edições seguintes.
A etapa voltada a estudantes que ainda estão cursando medicina busca identificar dificuldades de aprendizagem antes do internato, oferecer retroalimentação pedagógica às instituições e acompanhar o desenvolvimento das competências ao longo da formação. Os resultados não valerão, porém, para fins regulatórios.
Avaliação dos cursos – Um dos princípios centrais da nova norma é responsabilizar não apenas os estudantes pela qualidade da sua formação, mas, principalmente, as instituições de educação superior. Para isso, a nota individual do estudante servirá para gerar uma nota geral do curso, o chamado Conceito Enade, indicador que varia de 1 a 5. Resultados insatisfatórios (conceitos 1 e 2) podem resultar em medidas cautelares de regulação e supervisão, previstas na legislação educacional, que vão desde a redução de vagas até a desativação dos cursos.
O exame deverá, ainda, ser usado como parâmetro para atos regulatórios dos sistemas estaduais e distrital de educação na supervisão de cursos que pertencem a esses sistemas, reforçando a coordenação federativa e promovendo a integração dos diferentes instrumentos nacionais de avaliação da formação médica.
Revalida – A Medida Provisória também propõe um alinhamento entre o Enamed e o Revalida, destinado a avaliar as competências e os conhecimentos de graduados no exterior para validação de diplomas e exercício da medicina no Brasil. A etapa do exame destinada aos concluintes substituirá a etapa teórica do Revalida, assegurando maior isonomia de tratamento entre formados no Brasil e no exterior, ao exigir que ambos se submetam ao mesmo exame. A prova prática do Revalida continuará sendo realizada pelo Inep. Ficam dispensados da realização do Enamed os médicos com diploma revalidado em data anterior à de entrada em vigor da normativa.
Residência – A nota obtida na segunda etapa do Enamed poderá ser utilizada em todos os processos seletivos para programas de residência médica de acesso direto. O exame segue como etapa teórica do Enare, que prosseguirá selecionando, para além de candidatos a programas de acesso direto, também aqueles que concorrem a residências que exijam pré-requisito, ano adicional e área de atuação e para a residência em área profissional da saúde (multiprofissional e uniprofissional), por meio de provas específicas.
Visando ampliar a capacidade regulatória do Estado sobre a formação também de especialistas, o texto cria ainda o Sistema Nacional de Avaliação das Residências (Sinares). Os objetivos, os componentes, a governança e a forma de execução do sistema serão regulamentados pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM).
Governança – Para operar a governança da nova política de maneira democrática, a MP prevê a criação de uma comissão consultiva de acompanhamento do Enamed, com representantes do MEC, do MS, do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Associação Médica Brasileira e de entidades da sociedade civil.
Além da comissão consultiva do Enamed, o Ministério da Saúde participa da política definindo contrapartidas relacionadas ao uso da rede do SUS como campo de prática dos cursos de medicina e da articulação entre formação médica e necessidades do sistema de saúde. A proposta reforça a integração ensino-serviço em benefício da qualidade da formação e da atenção à saúde.
No que diz respeito à residência médica, a CNRM manterá sua atuação regulatória específica. O CFM, por sua vez, continuará exercendo suas atribuições legais de fiscalização e normatização do exercício profissional.
Histórico – Ainda em 2013, o programa Mais Médicos deu início a uma transformação histórica na formação médica brasileira ao estabelecer bases legais para alinhar a graduação às necessidades do SUS e da população. Como resultado, pela primeira vez, o número de vagas de medicina ofertadas no interior do país superou o das capitais, seguindo uma estratégia reconhecida internacionalmente para reduzir desigualdades regionais e ampliar a fixação de profissionais em áreas de maior vulnerabilidade.
Essa trajetória, no entanto, foi interrompida nos governos que se seguiram. A partir de 2018, o enfraquecimento da regulação e da avaliação da qualidade dos cursos gerou um cenário de expansão desordenada. Entre 2016 e 2022, foram autorizadas cerca de 23 mil novas vagas de medicina, concentradas principalmente em grandes centros urbanos.
A lei proposta pelo governo federal responde à necessidade de preservação da qualidade da formação médica diante dessa expansão, sobretudo no setor privado, inclusive em decorrência de decisões judiciais dissociadas dos critérios regulatórios do MEC.
Dados do Enamed 2025 evidenciaram que parcela relevante dos concluintes não apresentou o nível esperado de proficiência, ao mesmo tempo em que persistiu proporção significativa de cursos com desempenho inferior ao recomendado nos instrumentos oficiais de avaliação.
Os resultados do exame demonstraram que 67% dos 39.258 concluintes apresentaram desempenho proficiente. Isso significa que os cerca de 13 mil concluintes identificados pelo Enamed como abaixo do nível mínimo de proficiência já ingressam ou ingressarão em breve no exercício da profissão, expondo diretamente a população a riscos assistenciais concretos.
Além de fragilidades no desempenho individual dos estudantes, 32,6% das escolas médicas apresentaram conceito Enade 1 ou 2, ou seja, abaixo do recomendado. Também há assimetrias regionais e institucionais relevantes: universidades públicas federais e estaduais concentram mais de 84% de seus cursos nas faixas de excelência, ao passo que os piores resultados se concentram em instituições municipais e privadas com fins lucrativos, segmento responsável pela maior parte da expansão recente de vagas no país.
Diante disso, o MEC adotou, em março de 2026, medidas cautelares, incluindo a suspensão de ingresso de novos estudantes e a redução de vagas em cursos com desempenho insuficiente, com vigência até a divulgação dos resultados do próximo Enamed, prevista para dezembro de 2026. Essas ações, contudo, são restritas ao Sistema Federal de Ensino. Com a nova política, porém, as regras passam a valer para todos os cursos de medicina do país.
Leia mais: Enamed: divulgadas avaliação dos cursos de medicina e medidas de supervisão
Dessa forma, a medida do Governo do Brasil atende com urgência à necessidade de fortalecer os instrumentos legais de supervisão da formação desses profissionais, em consonância com outras medidas de aprimoramento do ambiente regulatório e da retomada de investimentos na área.
A expansão da residência médica é um desses exemplos de ampliação orçamentária. O país saiu de apenas 150 vagas com financiamento federal em 2021 e nenhuma em 2022 para mais de 2,4 mil vagas financiadas atualmente. Paralelamente, programas como o Agora Tem Especialistas já garantem a atuação de mais de 1,5 mil especialistas em regiões que historicamente enfrentavam dificuldade de acesso a esses profissionais.
Conteúdo – O Enamed avalia conteúdos, habilidades e competências definidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) de Medicina, que já orientam a organização curricular de todos os cursos de graduação do país. A matriz de referência adotada desde sua primeira edição tem um modelo avaliativo contemporâneo, centrado na mobilização integrada de conhecimentos, no raciocínio clínico, na tomada de decisão baseada em evidências, na atuação ética e humanizada e na compreensão do funcionamento das redes de atenção à saúde.
Os itens do exame são construídos a partir de situações-problema e casos clínicos que reproduzem cenários reais de prática profissional encontrados nos diferentes níveis de atenção à saúde, em especial no contexto do SUS. Isso porque as DCNs determinam que a formação médica brasileira esteja orientada pelas necessidades de saúde da população e pelos princípios organizadores do sistema público. Assim, entre os cenários propostos pela prova estão as redes de Atenção Primária à Saúde, materno-infantil, de atenção psicossocial, de doenças crônicas e de reabilitação.
A avaliação também considera competências relacionadas ao cuidado integral da pessoa, da família e da comunidade, à vigilância em saúde e ao enfrentamento dos principais problemas epidemiológicos do país, a partir das especialidades: clínica médica, cirurgia geral, pediatria, ginecologia e obstetrícia, medicina de família e comunidade, saúde mental e saúde coletiva.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria Executiva, do Inep e do Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Saúde
Ministério da Saúde destaca contribuição de migrantes para o fortalecimento do SUS
Publicado
19 de junho de 2026, 15:30
No Dia Nacional do Migrante, celebrado em 19 de junho, o Ministério da Saúde (MS) reconhece a contribuição das pessoas migrantes para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e reafirma seu compromisso com a valorização da diversidade, da inclusão e da cooperação entre povos na construção de uma saúde pública universal, equitativa e de qualidade. Instituída pela Lei nº 14.678, a data também marca o início da Semana do Migrante e do Refugiado, realizada entre 19 e 23 de junho.
Anualmente, durante o período, são promovidos debates sobre direitos, dignidade, integração e reconhecimento das contribuições das pessoas que cruzaram fronteiras e hoje contribuem para o desenvolvimento do país. No MS, essas trajetórias se traduzem em cuidado, inovação, troca de experiências e fortalecimento das políticas públicas. Ao ultrapassar limites geográficos em busca de novos horizontes, essas pessoas trouxeram conhecimentos e heranças culturais que hoje se refletem no aprimoramento contínuo do SUS.
O trabalho é impactado por profissionais de diferentes nacionalidades que atuam em áreas como assistência, vigilância em saúde, gestão, pesquisa, ensino e atenção. Por meio de suas vivências, formações e trajetórias, essas pessoas ampliam perspectivas, fortalecem práticas e contribuem para qualificar as ações e os serviços de saúde em todo o país.
Marcas da guerra, adaptação cultural e acolhimento no Brasil
A coordenadora-geral de Articulação Interfederativa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Fatima Ali, é palestina. Enfermeira de formação e servidora aposentada da Secretaria Municipal de Porto Alegre, a profissional atua no SUS há 20 anos. Filha de pai palestino da região norte da Cisjordânia, Ali relembra as dificuldades da adaptação cultural e da resistência para a sobrevivência do seu povo, após 78 anos da catástrofe que provocou o deslocamento forçado de 750 mil palestinos durante a Guerra Árabe-Israelense. “O fenômeno não é resultado de conflitos pontuais, mas de extermínio. Lutamos para manter vivos os laços familiares”, relata ao citar o que mais a marcou no percurso de adaptação e acolhimento em outro país.
A enfermeira explica o que pensa e como se sente atuando há duas décadas no sistema de saúde brasileiro. “O SUS é um grande desafio, a maior política social do mundo, inclusiva, universal. É a prática da constante solidariedade, do reconhecimento das diversidades e dos territórios”. Quando perguntada sobre qual mensagem deixaria sobre acolhimento, cooperação e construção coletiva na saúde pública, ela faz um convite à reflexão e à justiça. “Imagine você sendo forçado a sair [do seu país] sem olhar para trás. A sensação do desterro é permanente. É necessário manter viva a esperança como princípio fundamental para sobreviver à limpeza étnica. Por um mundo mais justo!”, conclui.
Estudos, mudança de vida e ascensão profissional
A nutricionista Maria del Pilar Flores-Quispe, de 44 anos, é peruana e atua como consultora no Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do MS. No Peru, atuou em sua área de formação em serviços de alimentação, academia, hospital, presídio, projetos de assistência e numa prefeitura, mas vislumbrava avanços acadêmicos e profissionais que pareciam inacessíveis. “Queria realizar um mestrado, mas a pós-graduação no Peru é muito cara, mesmo em universidades públicas. Soube que no Brasil davam bolsas de estudo, eu lia relatórios da UNICEF e via que o país era destaque na América Latina no avanço de indicadores nutricionais e de saúde. Isso me motivou a buscar uma oportunidade. Em 2015, houve um chamado para latino-americanos e consegui obter uma vaga para o mestrado em Epidemiologia na Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul”, conta.
Ao citar o que mais a impactou no processo de migração, a peruana destaca a dificuldade com o idioma e as mudanças progressivas na ascensão social. “Me marcou falar o que realmente sentia em outra língua, como se não pudesse traduzir, mesmo já sabendo português. Também estava me incorporando a outro nível social. No Peru, minha mãe e eu pertencíamos à classe baixa, e aqui, por causa do ambiente acadêmico, parecíamos pertencer à classe média. Isso foi um choque, pois essa transição estava acontecendo fora do meu país”, explica.
Pilar diz que suas experiências anteriores e trajetória migratória foram fundamentais para a atuação profissional. “Não é instintivo e fácil entender que há um sistema de saúde como o SUS, que não existe em outros países da América Latina. Isso ajuda na interação com outros estrangeiros em projetos ou instituições, para explicar a dimensão do SUS e como ele realmente faz toda diferença na saúde da população que vive aqui, assim como faz diferença na minha saúde e da minha mãe, que mora comigo há um ano. A oportunidade de eu ter morado em diferentes regiões do Brasil tem me ajudado a compreender mais da dimensão territorial e cultural do país”, afirma.
Entre culturas, aprendizados e compromisso com a saúde pública
Jesualdo Costa, de 38 anos, é natural de Guiné-Bissau, um país lusófano com cerca de 2 milhões de habitantes localizado na África Ocidental. Ele atua na Coordenação-Geral de Provimento Profissional no âmbito do Programa Mais Médicos no Brasil e integra a equipe da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do MS. Licenciado em Letras/Língua Portuguesa pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, mestre em Teoria e Crítica da Literatura e Cultura, e doutorando em Literatura e Cultura pela Universidade Federal da Bahia. Vive há 13 anos no Brasil. Para ele, trabalhar no SUS significa aprender e compartilhar.
“Venho de Guiné-Bissau, onde a saúde é um grande desafio. Contribuir para um sistema universal como o SUS significa aprender e colaborar. É a oportunidade de vivenciar um modelo que busca garantir acesso à saúde para todos, ao mesmo tempo em que fortaleço meu compromisso com a equidade e a qualidade da assistência”. O profissional contextualiza, ainda, as motivações da migração. “Migrantes não estão aqui apenas pela oportunidade de trabalho, mas também para compartilhar as experiências e vivências que trazem de outras realidades. Essa troca fortalece o cuidado e o próprio sistema. Muitos também vivenciam a importância do SUS como, talvez, a única opção de acesso à saúde, o que reforça ainda mais o compromisso com a luta por um cuidado mais justo e acessível”.
Jesualdo enfatiza que o SUS também se fortalece com a contribuição de profissionais migrantes e exemplifica citando a atuação dos médicos cubanos no Programa Mais Médicos. “Essa experiência mostra que o acolhimento e a cooperação salvam vidas. No fim, todos somos migrantes em nossas trajetórias, e é essa diversidade que fortalece a saúde pública. Que possamos seguir com base no acolhimento, na cooperação e no respeito às diferenças, guiados pelo princípio do Ubuntu: “eu sou porque nós somos”. É na coletividade que encontramos a força para cuidar melhor de todos”, declara.
Saúde para migrantes, refugiados e apátridas
No Brasil, o direito à saúde das populações migrantes, refugiadas e apátridas é assegurado pelos princípios de universalidade e equidade do SUS e respaldado por marcos legais como a Lei de Migração, que garante o acesso a direitos e serviços públicos sem discriminação por nacionalidade ou condição migratória. No âmbito do Ministério da Saúde, normas e iniciativas recentes têm buscado fortalecer esse acesso por meio da qualificação dos serviços, da redução de barreiras documentais e culturais e da construção de uma Política Nacional de Saúde voltada a essas populações, reafirmando o compromisso com o cuidado integral e a inclusão.
Essas populações são atendidas de forma universal e gratuita, assim como acontece com as pessoas nativas. As ações e estratégias para o cuidado em saúde no âmbito da Atenção Primária estão focadas em afirmar a necessidade de promover acesso à saúde e qualificar os serviços para o melhor cuidado e acolhimento. Na chegada ao país, são orientadas a realizar o cadastramento no e-SUS APS. Os profissionais que recepcionam e realizam o primeiro atendimento são orientados, também, a considerar os aspectos interculturais, para garantir o respeito às diferenças identitárias, enfrentar preconceitos e promover uma abordagem humanizada que considere os contextos socioculturais da comunidade.
Suellen Siqueira
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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