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Agronegócio

Plano Safra 2026/27 amplia crédito para R$ 525 bilhões, mas reduz recursos subsidiados ao produtor rural

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O Plano Safra 2026/27 foi lançado com um volume recorde de R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial, um crescimento de 1,7% em relação aos R$ 516,2 bilhões disponibilizados no ciclo anterior. Apesar do aumento dos recursos, especialistas alertam que a principal mudança não está no valor anunciado, mas na composição das linhas de financiamento.

A nova edição do programa amplia os recursos voltados aos investimentos, ao mesmo tempo em que reduz os valores destinados ao custeio e à comercialização. Além disso, diminui significativamente a participação das linhas com juros equalizados pelo Tesouro Nacional, aumentando a dependência do crédito com recursos de mercado.

Recursos para investimentos crescem, enquanto custeio perde espaço

Os números mostram uma redistribuição importante dentro do Plano Safra.

Os recursos destinados aos programas de investimento passaram de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões, reforçando o apoio à modernização das propriedades, infraestrutura e aquisição de máquinas.

Em contrapartida, o crédito para custeio e comercialização caiu de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, reduzindo a oferta de financiamento para despesas operacionais da produção agrícola.

Crédito subsidiado perde participação

Uma das mudanças mais relevantes da nova edição do Plano Safra é a redução dos recursos equalizados.

As linhas que contam com subsídio direto do Tesouro passaram de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões, uma diminuição de R$ 16,8 bilhões. Com isso, a participação dessas operações caiu de 22% para 18,5% do total destinado à agricultura empresarial.

Na prática, isso significa que uma parcela maior do crédito rural dependerá de fontes privadas e recursos captados no mercado financeiro, que normalmente apresentam custos mais elevados para os produtores.

Juros elevados e restrição fiscal limitam expansão dos subsídios

Segundo a análise do relatório, o ambiente econômico atual dificulta a ampliação das linhas subsidiadas.

Com a taxa de juros ainda em níveis elevados e o aumento das despesas obrigatórias do governo, cresce a pressão sobre as contas públicas, reduzindo o espaço para programas que dependem de equalização de taxas pelo Tesouro Nacional.

Além das limitações fiscais, o cenário internacional segue marcado por elevada volatilidade, influenciada por fatores como:

  • tensões geopolíticas no Oriente Médio;
  • oscilações nos mercados globais de commodities;
  • incertezas no comércio internacional;
  • custos elevados do crédito em nível mundial.

Esse ambiente reforça a tendência de maior participação do financiamento privado no crédito rural brasileiro.

Produtor deve acompanhar mudanças na composição do crédito

Embora o volume total do Plano Safra tenha aumentado, especialistas avaliam que o principal ponto de atenção para o produtor rural está na qualidade dos recursos disponíveis.

Com menor oferta de crédito subsidiado, produtores poderão encontrar maior participação de linhas indexadas às condições de mercado, tornando o planejamento financeiro ainda mais importante para a próxima safra.

Tendência é de fortalecimento das fontes privadas

A avaliação apresentada no relatório aponta que o Plano Safra 2026/27 mantém a trajetória de expansão do crédito rural, mas consolida um movimento observado nos últimos anos: o fortalecimento das fontes privadas de financiamento.

Mais do que o crescimento nominal de aproximadamente R$ 9 bilhões no volume anunciado, a principal transformação está na mudança estrutural da composição do funding do agronegócio brasileiro.

Com juros ainda elevados e restrições orçamentárias persistentes, a expectativa é que o mercado privado tenha participação cada vez maior no financiamento da produção agropecuária, exigindo maior planejamento financeiro e gestão de risco por parte dos produtores.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agronegócio

El Niño ameaça oferta global de trigo e óleo de palma e pode elevar preços das commodities agrícolas

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A confirmação de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026 recoloca o clima no centro das atenções do mercado agrícola internacional. O fenômeno poderá alterar o equilíbrio entre oferta e demanda de importantes commodities, especialmente trigo e óleo de palma, ampliando a volatilidade dos preços e exigindo atenção redobrada dos agentes do agronegócio.

Análise da Hedgepoint Global Markets aponta que os impactos climáticos tendem a ser distintos entre os principais países produtores. Enquanto a Austrália poderá enfrentar perdas significativas na produção de trigo, Estados Unidos e Argentina podem registrar ganhos produtivos. Já no mercado de óleo de palma, os maiores riscos permanecem concentrados na Indonésia e na Malásia, responsáveis pela maior parte da produção mundial.

Austrália concentra os maiores riscos para o trigo

Entre os grandes exportadores mundiais de trigo, a Austrália é considerada a região mais vulnerável aos efeitos do El Niño.

Historicamente, o fenômeno provoca redução das chuvas e temperaturas acima da média durante fases decisivas do desenvolvimento das lavouras, especialmente nas regiões produtoras do oeste e do sudeste australiano.

Esse cenário aumenta o risco de déficit hídrico, compromete o enchimento dos grãos e reduz tanto a produtividade quanto a qualidade da safra.

Como a Austrália ocupa posição estratégica nas exportações globais de trigo, qualquer redução relevante na produção costuma repercutir rapidamente nas bolsas internacionais, influenciando os preços e as expectativas do mercado.

Estados Unidos e Argentina podem compensar parte das perdas

Enquanto o clima tende a dificultar a produção australiana, o El Niño normalmente proporciona condições mais favoráveis em outras regiões produtoras.

Nos Estados Unidos, principalmente nas áreas produtoras de trigo de inverno das Grandes Planícies, o aumento da regularidade das chuvas favorece a recuperação da umidade do solo, reduzindo o risco de estiagens durante o ciclo da cultura.

Embora ocorram episódios isolados de excesso de precipitação, o histórico indica que o impacto líquido costuma ser positivo para a produção norte-americana.

A Argentina também figura entre os países que tradicionalmente se beneficiam do fenômeno.

A maior frequência das chuvas melhora o estabelecimento das lavouras, favorece o desenvolvimento vegetativo e contribui para o enchimento dos grãos, elevando o potencial produtivo do cereal.

Após temporadas marcadas por seca, o El Niño costuma impulsionar a recuperação da safra argentina, ampliando sua capacidade de exportação e fortalecendo sua participação no comércio internacional.

Produção de óleo de palma pode sofrer impactos mais fortes em 2027

Além do trigo, o mercado acompanha atentamente os possíveis efeitos do El Niño sobre o óleo de palma.

A commodity apresenta elevada sensibilidade às condições climáticas do Sudeste Asiático, onde Indonésia e Malásia concentram aproximadamente 80% da produção mundial.

O fenômeno normalmente provoca redução das chuvas, temperaturas mais elevadas e aumento do estresse hídrico nas áreas produtoras.

No entanto, diferentemente das culturas anuais, os impactos sobre as palmeiras costumam aparecer de forma gradual.

A seca compromete a formação dos cachos e o desenvolvimento fisiológico das plantas, fazendo com que as maiores perdas de produção sejam observadas entre seis e doze meses após o pico do fenômeno climático.

Por esse motivo, os efeitos mais relevantes sobre a oferta mundial de óleo de palma deverão ocorrer ao longo de 2027.

Mercado de óleos vegetais pode sentir reflexos da menor oferta

Uma eventual redução na produção de óleo de palma tende a provocar efeitos em toda a cadeia global de óleos vegetais.

Com menor disponibilidade da commodity, indústrias e consumidores normalmente intensificam a demanda por produtos substitutos, como:

  • óleo de soja;
  • óleo de canola;
  • óleo de girassol.

Esse movimento pode elevar os preços de todo o complexo de óleos vegetais, aumentando a competição entre os segmentos de alimentos, biocombustíveis e aplicações industriais.

Intensidade do El Niño será decisiva para os preços internacionais

De acordo com Luiz Fernando Gutierrez Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, o comportamento do mercado dependerá da intensidade do fenômeno e do equilíbrio entre as perdas registradas na Austrália e os ganhos produtivos nas Américas.

Segundo o especialista, eventos de El Niño mais intensos costumam sustentar as cotações internacionais do trigo devido à relevância da Austrália nas exportações globais. Já no caso do óleo de palma, os maiores riscos permanecem concentrados no Sudeste Asiático, onde a redução da oferta poderá se tornar mais evidente ao longo de 2027.

Clima seguirá como principal fator para os mercados agrícolas

A perspectiva de retorno do El Niño reforça que as condições climáticas continuarão sendo um dos principais direcionadores dos mercados agrícolas nos próximos meses.

Além de influenciar a produção mundial de trigo e óleo de palma, o fenômeno poderá alterar fluxos comerciais, estoques globais e estratégias de comercialização, aumentando a volatilidade das commodities e exigindo monitoramento constante por parte de produtores, exportadores e investidores do agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agronegócio

DDG de milho cresce em Mato Grosso e transforma coproduto do etanol em nova fonte de valor para o agronegócio

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A expansão da indústria de etanol de milho em Mato Grosso está impulsionando uma nova frente de valorização dentro da cadeia produtiva agrícola: os grãos secos de destilaria (DDG – Distillers Dried Grains).

O coproduto, obtido durante o processo de fabricação do biocombustível, vem ganhando espaço no mercado brasileiro ao combinar características estratégicas para o agronegócio, como alto valor nutricional para alimentação animal, aproveitamento de resíduos industriais e geração de maior valor agregado ao milho produzido no campo.

Com o avanço das usinas de etanol de milho, Mato Grosso se consolida como principal polo dessa indústria no país, criando uma conexão cada vez mais forte entre lavoura, pecuária e produção de energia renovável.

Etanol de milho impulsiona mercado de DDG no Brasil

O crescimento da produção de DDG acompanha diretamente a expansão das plantas industriais de etanol de milho.

Atualmente, o setor consome milhões de toneladas do cereal para transformar o grão em combustível renovável e coprodutos destinados à nutrição animal. Esse modelo permite que o milho deixe de ser comercializado apenas como matéria-prima e passe a integrar uma cadeia mais ampla de geração de renda.

Em Mato Grosso, as usinas utilizam aproximadamente 13,5 milhões de toneladas de milho por ano, fortalecendo a demanda interna pelo cereal e reduzindo a dependência exclusiva das exportações.

Além do etanol, o processo gera produtos como DDG, que passa a ocupar papel estratégico no fornecimento de proteína e energia para sistemas de produção de bovinos, aves e suínos.

DDG amplia integração entre milho e produção de proteína animal

O avanço do DDG fortalece o conceito de economia circular dentro do agronegócio.

Ao transformar milho em combustível e alimento animal, o modelo aproxima diferentes cadeias produtivas e aumenta a eficiência do sistema agroindustrial.

Para produtores rurais, a expansão desse mercado representa novas oportunidades comerciais, pois amplia a demanda pelo milho e cria alternativas para agregação de valor dentro da própria região produtora.

Segundo representantes do setor, o desenvolvimento do DDG pode colocar o coproduto em posição semelhante a outros ingredientes tradicionais da nutrição animal, como o farelo de soja, especialmente diante do crescimento da demanda global por alimentos produzidos com menor impacto ambiental.

Mercado internacional aumenta potencial do DDG brasileiro

A abertura de novos mercados internacionais também reforça as perspectivas para o produto brasileiro.

A possibilidade de exportação do DDG amplia o interesse da indústria e cria oportunidades para que o Brasil avance na participação global desse mercado, aproveitando sua capacidade de produção de milho e sua matriz energética renovável.

O cenário favorece especialmente estados como Mato Grosso, que possuem grande disponibilidade de matéria-prima, infraestrutura industrial em expansão e forte integração entre agricultura e pecuária.

Sustentabilidade fortalece competitividade do milho brasileiro

Além do impacto econômico, o DDG está inserido em um modelo produtivo associado à sustentabilidade.

O sistema de sucessão soja-milho contribui para a eficiência ambiental das lavouras brasileiras, com benefícios relacionados à fixação biológica de nitrogênio, conservação do solo e maior aproveitamento dos recursos agrícolas.

A transformação do milho em etanol e coprodutos também contribui para uma matriz energética com menor emissão de carbono, ao mesmo tempo em que gera ingredientes utilizados na produção de proteína animal.

Essa integração entre energia renovável, produção de alimentos e agricultura de baixo carbono amplia a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional.

Mato Grosso amplia produção de DDG e fortalece cadeia regional

O estado já produz cerca de 3 milhões de toneladas de DDG por ano, consolidando uma nova dinâmica econômica para o setor agrícola.

O crescimento das usinas de etanol de milho tem estimulado investimentos, geração de empregos e desenvolvimento regional, principalmente em municípios produtores.

Além disso, a industrialização próxima às áreas agrícolas reduz custos logísticos e permite que uma parcela maior da riqueza gerada pelo milho permaneça dentro do estado.

Coproduto do milho ganha protagonismo no agronegócio brasileiro

Com a expansão da bioenergia e a crescente demanda por ingredientes para alimentação animal, o DDG deixa de ser visto apenas como um subproduto industrial e passa a ocupar posição estratégica na cadeia do agronegócio.

A tendência é de aumento da participação desse coproduto no mercado, impulsionada pela busca por maior eficiência produtiva, sustentabilidade e diversificação das fontes de receita.

Para Mato Grosso, a evolução do DDG representa uma oportunidade de consolidar um modelo integrado de produção, unindo grãos, energia renovável, proteína animal e inovação, fortalecendo o protagonismo do estado no agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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