Caso envolve suspeita de disparos contra dois animais, câmera de monitoramento atingida e relatos de temor entre familiares; jornal pede respostas da Polícia Civil e do Ministério Público
O Correio de Mato Grosso recebeu denúncias envolvendo um vereador de Marcelândia, município localizado a cerca de 710 quilômetros de Cuiabá, acusado de ter matado dois cães a tiros depois de uma briga entre animais ocorrida em uma chácara da família.
Diante da gravidade das informações, o Correio de Mato Grosso cobra uma resposta clara das autoridades e acompanhará o caso para saber quais providências estão sendo adotadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de Mato Grosso.
Segundo as informações encaminhadas à reportagem, o episódio ocorreu na segunda-feira (17). Os dois cães pertenciam a um familiar do parlamentar e teriam se envolvido em uma briga com um cachorro da raça Pinscher, pertencente ao vereador. O Pinscher teria morrido após o confronto.
A denúncia aponta que, depois da morte do animal, o vereador teria pegado uma arma de fogo e efetuado disparos contra os outros dois cães, que também morreram. O calibre e a situação legal da arma não foram informados.
Câmera também teria sido atingida por disparo
Outro ponto que precisa ser rigorosamente esclarecido pelas autoridades é o relato de que uma câmera de monitoramento instalada na propriedade teria sido atingida por um tiro após a morte dos animais.
É fundamental saber quem realizou o disparo, em que momento ele ocorreu e se houve intenção de destruir ou dificultar eventual registro do episódio. Qualquer conclusão sobre essa finalidade, porém, depende de investigação e prova.
Fotos dos cães mortos e do equipamento danificado teriam sido apresentadas às autoridades.
Onde está a resposta das autoridades?
Diante de uma acusação dessa gravidade, o Correio de Mato Grosso questiona: quais providências foram tomadas até agora? Foi instaurado inquérito policial? A arma supostamente utilizada foi localizada ou apreendida? Foram realizadas perícias nos animais, na câmera e no local? Testemunhas foram formalmente ouvidas?
A condição de vereador não coloca ninguém acima da lei.
A legislação brasileira prevê tratamento mais severo para maus-tratos praticados contra cães e gatos. Pela Lei nº 14.064/2020, que alterou o artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais, a prática de abuso, maus-tratos, ferimento ou mutilação de cães e gatos pode resultar em reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda. Se ocorrer a morte do animal, a legislação prevê aumento da pena de um sexto a um terço. (Planalto)
Isso não significa antecipar a culpa do parlamentar. Cabe às autoridades investigar, garantir o direito de defesa e esclarecer exatamente o que ocorreu. Mas uma denúncia envolvendo a morte de dois animais por disparos de arma de fogo não pode simplesmente ficar sem uma resposta pública e adequada.
Polícia Civil e Ministério Público precisam dar respostas
O Correio de Mato Grosso cobra da Polícia Civil de Mato Grosso uma investigação técnica e independente para esclarecer a dinâmica dos fatos, a propriedade e regularidade da arma eventualmente utilizada e as circunstâncias das mortes dos animais.
Da mesma forma, o jornal cobra que o Ministério Público de Mato Grosso acompanhe o caso dentro de suas atribuições, especialmente diante dos relatos de que pessoas próximas aos envolvidos estariam receosas de procurar as autoridades por causa de supostas ameaças relacionadas à divulgação do episódio.
Caso existam ameaças, elas também precisam ser investigadas. Pessoas que possam contribuir com a apuração devem ter condições de prestar depoimento sem medo de represálias.
Proprietário dos cães foi ouvido
Segundo as informações recebidas pela reportagem, o proprietário dos animais já teria sido ouvido e confirmado a morte dos cães, apontando o vereador como responsável. Ele, porém, não teria detalhado formalmente a maneira como os animais morreram.
Por isso, a realização de perícias e a análise de eventuais imagens, testemunhos, projéteis, armas e demais elementos são essenciais para que os fatos sejam esclarecidos sem espaço para especulações.
Correio de Mato Grosso continuará cobrando
O Correio de Mato Grosso não condena antecipadamente ninguém, mas também não aceitará que uma denúncia dessa gravidade seja tratada com silêncio.
A sociedade de Marcelândia e de Mato Grosso tem direito de saber o que aconteceu, quais medidas foram adotadas e se haverá responsabilização caso os fatos sejam comprovados.
A reportagem buscará oficialmente informações junto à Polícia Civil, ao Ministério Público e à Câmara Municipal de Marcelândia e continuará acompanhando cada desdobramento do caso.
O vereador também terá espaço garantido para apresentar sua versão e sua defesa.
Até que todas essas perguntas sejam respondidas, o Correio de Mato Grosso continuará cobrando transparência, investigação e aplicação da lei. Cargo político não pode servir de escudo contra uma apuração séria e imparcial.